O diagnóstico do câncer de mama costuma iniciar uma fase marcada por exames, consultas, decisões e mudanças na rotina. Para as mulheres, no entanto, algumas dessas transformações também aparecem no espelho. A queda dos cabelos, um dos efeitos mais conhecidos de determinados tratamentos oncológicos, pode mexer com a autoestima e com a maneira como a paciente se reconhece.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho desse desafio. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028. A estimativa corresponde a um risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres e mantém a doença como o tipo de câncer mais incidente entre as brasileiras, depois dos tumores de pele não melanoma.
Em Santa Catarina, a situação também chama atenção. Para 2026, o INCA estima 4.460 novos casos no Estado, com taxa bruta de 106,07 casos por 100 mil mulheres. Florianópolis concentra uma parcela importante desse cenário: são estimados 400 novos diagnósticos de câncer de mama na capital neste ano, o que representa uma taxa bruta de 130,74 casos por 100 mil mulheres.
Os números reforçam a importância do diagnóstico precoce, do acesso aos exames e do tratamento adequado. Mas existe uma parte dessa jornada que nem sempre aparece nas estatísticas: a forma como a mulher lida com as mudanças provocadas pela doença e pelo tratamento.
Em Florianópolis, empresas como a Magma acompanham essa realidade há anos. A empresa foi fundada em 2007 e atua com cabelos naturais, alongamentos, volumização e soluções para diferentes situações de perda capilar, incluindo próteses para mulheres que enfrentam tratamentos oncológicos. A relação da família com o segmento, começou muito antes da criação da empresa. São quase 100 anos de história ligados aos cabelos naturais, passando pela compra e venda de cabelos, confecção de perucas e desenvolvimento de técnicas de alongamento. Ao longo das gerações, esse conhecimento foi sendo aprimorado. Hoje, segundo a empresa, a experiência acumulada permite trabalhar com diferentes técnicas e criar soluções personalizadas para cada mulher e para cada momento da jornada capilar. A atuação junto às pacientes oncológicas também não se restringe ao Outubro Rosa. Ao longo dos anos, a Magma participou de caminhadas, palestras, experiências, apresentações, desfiles, ensaios fotográficos, cortes de cabelo e ações de confecção de próteses.
Para 2026, a principal novidade é a integração das diferentes áreas da empresa, reunindo em um mesmo espaço soluções para as várias etapas da jornada capilar da paciente. A proposta é começar ainda antes da queda dos fios, orientar a mulher durante o tratamento e acompanhar a recuperação dos cabelos posteriormente. Em vez de pensar apenas na perda capilar, o atendimento passa a considerar todo o processo. “Para nós, a autoestima faz parte da cura. Por isso, buscamos excelência em cada detalhe: no atendimento, nos produtos, nos serviços, no ambiente, na organização e, principalmente, no ultra realismo dos resultados. Nosso objetivo é proporcionar aquele momento em que a mulher volta a se olhar no espelho, se reconhece e sente que continua sendo ela”, afirma Marina Bonatti, proprietária da Magma. O atendimento é individualizado e realizado em ambiente privativo. Antes de indicar qualquer solução, a equipe avalia características como textura, cor, comprimento e densidade dos cabelos, além de entender o estilo e o resultado que a paciente deseja. A empresa trabalha com próteses capilares de alto realismo e soluções para diferentes tipos de alopecia e para a perda temporária dos fios provocada por tratamentos oncológicos.
Outro recurso pouco conhecido é a possibilidade de utilizar o próprio cabelo da paciente na confecção da prótese ou preservá-lo para, quando houver indicação técnica, utilizá-lo posteriormente em um alongamento. A ideia é acompanhar a mulher conforme os cabelos mudam, e não oferecer uma solução única para todo o período do tratamento.
Para muitas mulheres, o cabelo está diretamente relacionado à identidade, à feminilidade e à maneira como se apresentam ao mundo. “Existe uma mulher com diferentes sentimentos por trás do diagnóstico. A perda dos cabelos pode atingir diretamente sua identidade, sua autoestima, suas relações e a maneira como ela se reconhece diante do espelho e do mundo”, afirma Marina. A proposta não é esconder o tratamento, mas permitir que a mulher tenha alternativas para lidar com as mudanças de uma forma que faça sentido para ela. “Em cada prótese enxergamos a possibilidade de uma mulher sair de casa, trabalhar, encontrar os amigos, sorrir para uma fotografia e voltar a se olhar no espelho sentindo que continua sendo ela”, completa Marina.
Em 2026, a Magma também prepara uma participação especial no Desfile Ecomoda Udesc, marcado para 22 de outubro, no Clube 12. A proposta é levar para a passarela uma reflexão sobre autoestima, identidade e reconstrução da imagem durante e depois do tratamento oncológico. A participação aproxima dois universos que, embora pareçam distantes, fazem parte da rotina de muitas pacientes: saúde e moda.
Depois do diagnóstico, existe uma mulher que continua trabalhando, encontrando os amigos, cuidando da família, saindo de casa, fazendo planos e se olhando no espelho.
