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Entre CASACOR e galerias de arte, projeto reúne nomes que defendem uma nova lógica para o litoral catarinense

A reta final da exposição Bromeliário, do artista visual Walmor Corrêa, em Florianópolis, coincide com uma movimentação mais ampla no debate sobre cidade e moradia em Santa Catarina. Nesta semana, os arquitetos Leonardo Zanatta e Jeferson Branco promovem na CASACOR BC um encontro para discutir como a boa arquitetura pode se tornar um diferencial competitivo em um mercado ainda marcado pela disputa por metragem, altura e potencial construtivo.

Embora venham de universos distintos, arte e arquitetura passam a dialogar a partir de uma mesma pergunta: como criar espaços capazes de gerar pertencimento, bem-estar e conexão com o território, em contraponto à lógica de adensamento e verticalização que marcou o crescimento recente do litoral catarinense.

Essa reflexão também estrutura o Athene Garden, em desenvolvimento no bairro planejado Colinas de Camboriú, que reúne os três profissionais ao lado do paisagista Ricardo Cardim, referência nacional em biodiversidade urbana. A proposta nasce em meio à consolidação do chamado wellness living e à revisão de modelos tradicionais de incorporação, historicamente orientados pela maximização de área vendável. Tudo isso em uma área cercada por mais de 400 mil m² de Mata Atlântica preservada.

No caso do Athene Garden, a mudança resultou em uma decisão central de concepção: oito unidades previstas inicialmente foram retiradas do projeto para ampliar áreas de convivência, contato com a natureza e qualidade ambiental. A escolha representa a renúncia a cerca de R$ 50 milhões em potencial de vendas (VGV). A decisão, segundo a FHaus Empreendimentos, altera a lógica tradicional de valorização imobiliária no próprio desenho do ativo. 

“Existe uma mudança estrutural em curso, e isso exige escolhas que nem sempre são óbvias. Priorizamos a forma como os espaços se relacionam entre si e com a paisagem, o que levou naturalmente à redução de adensamento e à revisão do número de unidades”, explica o arquiteto Leonardo Zanatta, responsável pela assinatura do projeto.

“Além disso, elementos como biofilia, conforto térmico e acústico, ventilação natural e qualidade do ar também foram elementos centrais nas decisões que nortearam o projeto.” A discussão, também presente na palestra “A Boa Arquitetura Como Argumento de Venda”, realizada por Zanatta e Jeferson Branco durante a CASACOR BC, é reforçada pela escolha do artista plástico Walmor Corrêa na concepção do Athene Garden. Reconhecido por uma produção que cruza arte, ciência e imaginário popular, o artista segue em exposição com o projeto Bromeliário, resultado de cinco anos de pesquisa sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e o legado do botânico catarinense Padre Raulino Reitz.

Para o empreendimento, Walmor desenvolveu a obra Refúgio, uma escultura em bronze que representa um casal de corujas-buraqueiras sobre base de pedra natural. A peça será instalada no espelho d’água do hall principal e tem origem direta na observação do terreno pelos fundadores da FHaus, onde as aves foram identificadas durante as primeiras visitas à área.

“Quando conheci a história das corujas e a forma como elas foram incorporadas à identidade do lugar, percebi que existia ali algo raro: um interesse genuíno em compreender e respeitar aquilo que já fazia parte da paisagem. A obra procura traduzir essa ideia de pertencimento, proteção e convivência entre natureza e presença humana”, afirma Walmor Corrêa.

A presença da coruja também influencia o nome do empreendimento, inspirado em Atena, deusa grega associada à sabedoria e tradicionalmente representada pelo animal como símbolo de visão e proteção. Além de Walmor, Zanatta e Ricardo Cardim, o projeto busca certificações internacionais LEED e WELL em nível Platinum e será o primeiro da região a implementar os selos Biodiversidade Nativa e Floresta de Bolso®. A proposta sintetiza um movimento ainda incipiente no mercado imobiliário catarinense, no qual decisões de concepção passam a considerar não apenas potencial construtivo, mas também desempenho ambiental, qualidade de vida e permanência do ativo ao longo do tempo. 

“O discurso sobre conceito é sempre muito amplo e fácil de ser construído. Mas o que realmente diferencia um projeto é quando ele sai do campo das ideias e exige escolhas concretas, às vezes difíceis. No Athene, isso significou abrir mão de unidades, rever potencial construtivo e aceitar que qualidade precisa se traduzir em prática, não em intenção”, afirmam os sócios da FHaus Empreendimentos.

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