O Carnaval movimenta a economia para além dos dias de folia. Esse é o ponto de partida da palestra “O valor da festa: Carnaval e Economia Criativa”, que a professora, pesquisadora e foliã Daniele Canedo apresenta na segunda fase do Festival Ponte que Pariu 2026, no dia 23 de setembro, às 19h, no Museu da Escola Catarinense (MESC). A atividade gratuita, realizada com o Bloco Ponte que Pariu, discutirá como a festa produz valor econômico e cultural, gera trabalho e renda e pode ampliar seus efeitos com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.
Turismo, comércio e serviços concentram parte dos efeitos mais visíveis do Carnaval. A preparação da festa, porém, mobiliza durante todo o ano artistas, produtores, trabalhadores, organizações culturais e comunidades em processos de criação, planejamento e articulação. É nesse período que se estrutura uma cadeia de trabalho que sustenta os blocos e contribui para a formação de uma identidade carnavalesca própria.
Em Florianópolis, onde o Carnaval passa por um processo de crescimento, o debate coloca em foco as condições para que essa atividade se consolide. A expansão dos blocos pode ampliar oportunidades de trabalho, movimentar espaços urbanos e fortalecer a produção cultural local. Para Daniele, o apoio público pode contribuir para dar continuidade e escala a iniciativas que já partem da sociedade.
“A festa nasce da criatividade e da mobilização da sociedade, mas ganha escala e continuidade quando existe uma parceria pública consistente. Não se trata somente de financiar os dias de folia, mas de fortalecer um trabalho cultural que acontece o ano inteiro e produz valor para toda a cidade”, afirma Daniele Canedo.
A experiência de Salvador será apresentada como referência para a discussão. O Carnaval da capital baiana permite observar como uma festa consolidada articula dimensões culturais e econômicas e quais condições podem favorecer a continuidade de uma atividade desse porte. A proposta não é reproduzir o modelo em Florianópolis, mas identificar caminhos que possam contribuir para o desenvolvimento de uma cena carnavalesca ainda recente na cidade.
Outro eixo da palestra será a distribuição dos benefícios gerados pelo Carnaval. À medida que a atividade cresce, a discussão sobre economia criativa também envolve o acesso de organizações, trabalhadores e comunidades às oportunidades criadas pela festa. A perspectiva de equidade será tratada como parte do desenvolvimento sustentável do setor.
Gestão cultural baseada em evidências
A palestra também apresentará aspectos das pesquisas do Observatório da Economia Criativa da Bahia sobre fomento às artes e sustentabilidade do patrimônio cultural. Entre as referências está o livro “Gestão Cultural Baseada em Evidências: por onde começar”, lançado em 2026 em parceria com o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.
A publicação discute como dados qualificados podem apoiar decisões de organizações culturais e gestores públicos, sem reduzir a cultura ao que pode ser medido em números.
Sobre a palestrante
Daniele Canedo coordena a equipe brasileira do projeto de pesquisa “Economia do Carnaval: Mensurando o Valor Público das Artes e da Cultura”, desenvolvido em colaboração entre o Ministério da Cultura do Brasil, o Institute for Innovation and Public Purpose, da University College London, sob liderança da economista Mariana Mazzucato, e o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC).
A pesquisadora também é gestora cultural, capoeirista e docente do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade e do Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
É doutora em Cultura e Sociedade pela UFBA e PhD em Media and Communication Studies pela Vrije Universiteit Brussel, na Bélgica. É especialista em Administração Pública pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e graduada em Produção em Comunicação e Cultura pela UFBA. Também realizou pós-doutorados em Comunicação e Economia (UFS, 2014) e Administração (UFBA, 2018).
Entre 2024 e 2025, atuou como professora visitante no centro de pesquisa Studies in Media, Innovation and Technologies (Smit), da Vrije Universiteit Brussel, como bolsista CNPq. Entre 2018 e 2021, integrou o Conselho de Cultura de Salvador.
Desde 2015, atua como pesquisadora e coordenadora do Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC), onde coordena pesquisas de relevância nacional. Também é consultora do Ministério da Cultura na padronização de dados para o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais.
Em março de 2026, lançou, em parceria com a gestora e pesquisadora da cultura Beth Ponte, o livro “Gestão Cultural Baseada em Evidências: por onde começar”, editado pelo Sesc SP.
A segunda fase do Festival do Bloco Ponte Que Pariu é uma realização da JF Produções, e tem como incentivador o Brasil Atacadista. Este projeto foi viabilizado pela Lei nº 17.942, de 12 de maio de 2020.
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Palestra: “O valor da festa: Carnaval e Economia Criativa”
- Palestrante: Daniele Canedo
- Evento: Festival Ponte que Pariu 2026
- Atividade: com o Bloco Ponte que Pariu
- Cidade: Florianópolis, Santa Catarina
- Data: 23/9, quarta-feira
- Horário: 19h
- Local: Museu da Escola Catarinense (MESC)
