
O Teatro Pedro Ivo recebe nos dias 19 e 20 de junho, obra cênica para a infância que aborda a acessibilidade como o centro da narrativa Concebida pelo diretor teatral Marco dos Anjos, “Da Janela” conta uma história de amizade entre três crianças, em um jogo cênico no qual recursos assistivos fazem parte da dramaturgia, criando uma experiência artística inclusiva e sensível, por meio de uma linguagem de Teatro Infantil Acessível. Malu, Nina e Cadu se conhecem pelas janelas de suas casas. Aos poucos, começam a se comunicar à distância. A conexão entre eles se aprofunda à medida em que, intuitivamente, aprendem a lidar com as diferenças.
Apresentado pela BB Seguros, “Da Janela” cumpre curta temporada no Teatro Pedro Ivo, nos dias 19 e 20 de junho (sexta e sábado), com sessões sempre às 16h.
De classificação livre e acessível para todos os públicos e duração de 50 minutos, os ingressos estão à venda pela Diskingressos no endereço eletrônico:aqui
Sobre o espetáculo “Da Janela”
“Da Janela” é um espetáculo infantil que faz da acessibilidade parte da própria cena,
transformando recursos em poesia e jogo teatral. A cada momento, as crianças são
convidadas a experimentar novas formas de se comunicar, descobrindo que a linguagem
pode ir muito além das palavras. Fruto de uma pesquisa dedicada ao encontro entre arte,
inclusão e acessibilidade, a montagem incorpora a narração das cenas e a tradução em
Libras como elementos orgânicos da dramaturgia, integrando-os ao brincar e à imaginação.
Assim, o palco se abre como espaço de descobertas, onde diferentes modos de expressão
se tornam naturais e encantadores. Todas as cenas foram concebidas para serem
plenamente acessíveis, dispensando elementos externos como intérprete de Libras ou
audiodescrição.
A concepção da peça colocou a acessibilidade dentro de todas as etapas da criação
com a participação de consultores de inclusão e pessoas com deficiência. De forma que
teatralizasse recursos de acessibilidade na comunicação, transpondo barreiras linguísticas
e tornando a encenação inclusiva a crianças com deficiência. Com isso, a inclusão aparece
de forma orgânica, resultando em um espetáculo que pode ser acompanhado por crianças e
adultos com ou sem deficiência visual ou auditiva.
Personagens e narrativas acessíveis
De sua janela, Malu, interpretada pela atriz Luize Mendes Dias, por meio de um
binóculo observa e narra o que acontece na vizinhança e, desta forma, descreve, com suas
próprias palavras, o que se passa em cena, auxiliando na compreensão de quem não vê.
Enquanto a personagem Nina, vivida pela atriz surda Mariana Siciliano, ensina a Cadu
(Alain Catein) como é possível se comunicar sem usar as palavras.
Já Thamires Ferreira, atriz e intérprete de Libras, se junta à cena no papel de síndica
da vizinhança. Ela comenta, em Libras, o que se passa no palco para a plateia, que é
convidada a se autodescrever e a dizer, em Libras, a frase: “Você quer ser meu amigo?”. A
atração também disponibilizará fones abafadores, para pessoas com sensibilidade auditiva,
e monitores especializados, além da acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida e
em cadeira de rodas.
“Estamos felizes em patrocinar ‘Da Janela’ pelo segundo ano consecutivo. Mais do
que um espetáculo, a peça representa uma experiência transformadora ao integrar a
acessibilidade à própria narrativa de forma sensível, acolhedora e genuína. É um projeto
que amplia o acesso à cultura e promove reflexões importantes sobre empatia, convivência
e diferentes formas de comunicação. Para nós, é muito significativo apoiar iniciativas que
tornam a arte mais humana, inclusiva e acessível para todos”, afirma Luciana Garrone,
Gerente de Marketing Institucional e Mercadológico da Brasilseg, uma empresa BB
Seguros.
Todo o processo de criação do projeto foi motivado pelo desejo do encenador Marco
dos Anjos de pesquisar a inclusão de pessoas com deficiência em um espetáculo. Ao passo
que os recursos de acessibilidade estão cada vez mais presentes nas apresentações
teatrais, Marco os via como algo à parte, sem uma integração com o que estava sendo
apresentado. Logo ele se desafiou a criar um espetáculo em que esses recursos
estivessem também teatralizados. Para isso, contou com a consultoria de Vanessa Bruna, da Incluir pela Arte, e Christofer Allex, consultor de Libras, que estiveram em ensaios e foram decisivos para a formatação final da dramaturgia e da direção. E o elenco do espetáculo inclui profissionais com deficiência, como o caso da atriz surda Mariana Siciliano.
“Eu quis experimentar os recursos de acessibilidade desde o primeiro ensaio.
O desafio era estar organicamente na dramaturgia. Ser acessível sem recursos extras e de
forma divertida”, resume o diretor, Marco dos Anjos, que coleciona mais de 50 prêmios com
a companhia Trupe do Experimento, da qual é diretor artístico há 18 anos e assinou nove
espetáculos neste período.
Créditos das fotos: Annelize Tozetto
