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Ex-prefeita de Palmeira, Fernanda Córdova possui trajetória marcada por gestão, liderança feminina e compromisso com a Serra Catarinense

Fernanda construiu uma trajetória marcada pela superação, pela força do trabalho e pelo compromisso com as pessoas. Natural de Lages e com raízes no interior de Palmeira, iniciou sua caminhada profissional muito jovem, levando consigo valores como responsabilidade, dedicação e respeito às origens. Ao longo dos anos, transformou desafios em oportunidades, construiu carreira no setor privado, formou-se em Administração, especializou-se em Gestão de Negócios e encontrou na vida pública uma missão: trabalhar para melhorar a realidade das pessoas.

Primeira mulher prefeita de Palmeira e uma das principais lideranças femininas da Serra Catarinense, Fernanda ganhou destaque pela gestão pautada em responsabilidade, desenvolvimento e proximidade com a comunidade. Hoje, como pré-candidata a deputada federal, segue defendendo bandeiras ligadas ao fortalecimento da região, à agricultura familiar, à educação e ao protagonismo feminino na política.

Em entrevista exclusiva à Revista Top Society, Fernanda fala sobre sua trajetória, desafios, conquistas e os sonhos que pretende levar para Brasília. Fotografia: Karla Cruz

TS- Como a sua trajetória pessoal e profissional moldou a mulher pública que você é hoje?

Nasci em Lages, cresci no interior de Palmeira e venho de uma família simples, onde aprendi desde cedo o valor do trabalho, da fé, da honestidade e da responsabilidade.

Comecei a trabalhar muito jovem. Fui caixa de supermercado, babá e também trabalhei em casa de família. Sempre enxerguei na educação, com o incentivo e apoio da minha mãe, uma oportunidade de transformar a minha realidade. Por isso, tive a alegria de ser a primeira pessoa da minha família a concluir uma faculdade.

Mais tarde, voltei a morar em Lages, onde me formei técnica em mecânica, depois em Administração, além de concluir um MBA em Gestão de Negócios. Construí minha trajetória profissional em duas grandes empresas da cidade, conheci meu esposo e, aos poucos, fui entendendo que minha história também poderia servir para ajudar outras pessoas.

Depois de muitos anos vivendo em Lages, decidi entrar para a vida pública ao perceber o quanto o poder público ainda falhava com as pessoas. Candidatei-me, fui eleita vereadora e, posteriormente, tive a honra de ser prefeita de Palmeira por dois mandatos.

Foi nessa caminhada que aprendi, na prática, aquilo em que sempre acreditei: a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.

Hoje, sigo trabalhando com a mesma essência — ouvindo, acolhendo e buscando transformar a realidade da nossa região em oportunidades concretas — agora como assessora especial da Casa Civil do Governo do Estado de Santa Catarina.

TS- Como nasceu sua vontade de entrar para a vida pública e o que mais te motiva hoje nessa pré-candidatura a deputada federal?

A minha vontade de entrar para a vida pública nasceu da inquietação. Eu sempre visitava meus pais, que moram até hoje no interior de Palmeira, e ouvia muitas pessoas dizerem que a política não funcionava, que nada mudava, que era tudo igual, que os políticos não prestavam. Então, num determinado momento, eu entendi que reclamar de fora não seria suficiente. Se pessoas sérias, com vontade de trabalhar e fazer diferente, não ocuparem esses espaços, eles acabam sendo sempre ocupados por quem não tenha o mesmo compromisso, foi quando eu percebi que podia ajudar, fazer a diferença, e então segui esse caminho,

Hoje, o que me motiva nessa candidatura é a possibilidade de ampliar essa atuação. Como prefeita, eu pude ver o quanto uma decisão bem tomada muda a vida de uma cidade. Quando fui presidente da Amures, em 2022, e nas vezes que fui presidente do Consórcio de Saúde, passei a olhar para a Serra Catarinense, e ao contrário do que alguns dizem, eu sempre vi uma região com muita força, muito potencial e gente trabalhadora, mas que ainda precisa ser mais respeitada nos espaços onde as decisões acontecem, e isso só acontece com representantes eleitos. Nós somos 234 mil eleitores, mais do que o suficiente para eleger dois deputados federais e até quatro ou cinco deputados estaduais, mas precisamos entender que, para isso, precisamos nos unir em torno dos nossos candidatos aqui da região e parar de votar em candidatos de fora. Eles até ajudam, mas nenhum deles encaminha recursos que podem transformar estruturalmente nossa região.

Minha caminhada nasce daí: da vontade de ajudar a transformar a força da nossa região em resultados, em oportunidades e em desenvolvimento real que possa transformar a vida das pessoas.

TSVocê foi prefeita de Palmeira por dois mandatos. Quais conquistas da sua gestão mais marcaram sua trajetória?

Foram muitas conquistas importantes, mas o que mais me marca é saber que conseguimos entregar mudanças estruturantes para a cidade e resgatar o orgulho do palmeirense. Uma gestão não se resume a uma obra ou a uma área específica; ela precisa organizar a casa, planejar, cuidar das pessoas e preparar o município para crescer.

Em Palmeira, avançamos em infraestrutura, educação, saúde, assistência social, pavimentação, espaços públicos e organização administrativa. Também tive muito orgulho de conduzir uma gestão com contas aprovadas, responsabilidade com o dinheiro público e entregas que até hoje fazem parte da vida das pessoas.

Mas, mais do que citar uma obra específica, o que mais me marcou foi ver a cidade recuperar confiança. Quando as pessoas percebem que a política pode funcionar, que o recurso público pode ser bem aplicado e que a gestão pode transformar a rotina de uma comunidade, isso deixa uma marca muito profunda.

TS-Como mulher e liderança política da Serra Catarinense, quais desafios enfrentou ao longo da carreira?

Ser mulher na política ainda exige coragem. Muitas vezes, a mulher precisa provar mais, sustentar mais e enfrentar julgamentos que dificilmente seriam feitos da mesma forma com um homem. Eu vivi isso. Já fui questionada pela idade, pelo corpo, pela origem, pela capacidade e até pela firmeza das minhas decisões.

Mas também aprendi que esses desafios não podem nos paralisar. Pelo contrário. Eles precisam nos fortalecer. Eu fui a primeira mulher prefeita de Palmeira e, na época, era a única prefeita mulher em toda a Serra, e sei o peso simbólico disso. Porém, eu nunca quis ser reconhecida apenas por ser mulher. Sempre quis ser reconhecida pelo trabalho, pela seriedade e pelos resultados. Então sempre coloquei o foco naquilo que importava e segui em frente lutando muito para transformar cada julgamento em desafios superados, com objetivo de abrir o caminho para outras mulheres que também sonhavam em trilhar esse caminho.

Acredito que a liderança feminina tem uma força muito própria: une sensibilidade, capacidade de escuta, firmeza e responsabilidade. E a política precisa cada vez mais dessa combinação.

TS-O agro aparece como uma das suas principais bandeiras. Quais pautas você considera prioritárias para fortalecer o produtor rural e a agricultura familiar?

O agro da Serra Catarinense tem uma característica muito especial: ele está profundamente ligado à agricultura familiar, às pequenas propriedades, ao trabalho das famílias e à sucessão no campo. Fortalecer esse setor é fortalecer a economia, a permanência das famílias no interior e a identidade da nossa região.

Eu considero prioritárias pautas como assistência técnica, infraestrutura rural, estradas em boas condições, acesso a crédito, apoio à agroindústria familiar, abertura de mercado e fortalecimento do cooperativismo e do associativismo. Precisamos aprender a trabalhar juntos. Nas outras regiões, onde o cooperativismo funciona há mais tempo, os produtores são muito mais fortes. Muitas vezes, o pequeno produtor não precisa apenas de discurso; precisa de caminhos concretos para produzir melhor, vender melhor e permanecer no campo com dignidade.

Também defendo um olhar muito atento para as mulheres do campo. Elas produzem, administram, cuidam, empreendem e sustentam muito da força da agricultura familiar. Valorizar essas mulheres é reconhecer uma parte essencial do desenvolvimento da Serra.

TS-A educação também faz parte da sua caminhada. O que precisa mudar hoje para melhorar a realidade dos municípios do interior?

A educação mudou a minha vida e mudou a história da minha família. Por isso, quando falo desse tema, não falo de forma distante. Eu sei, pela minha própria trajetória, que a educação abre portas, amplia horizontes e permite que uma pessoa transforme não apenas o seu futuro, mas também o futuro da sua casa.

Nos municípios do interior, precisamos pensar a educação de forma mais conectada à realidade local. Isso passa por estrutura adequada, valorização dos profissionais, transporte escolar, acesso à tecnologia, ensino técnico, formação profissional e oportunidades para que os jovens não sintam que precisam deixar sua cidade para ter futuro. E hoje, fico muito feliz de ver isso acontecendo na educação do estado, com investimentos pesados que nosso governador tem feito para transformar e melhorar a infraestrutura das escolas.

A educação precisa preparar o jovem para o mundo, mas também precisa mostrar que é possível construir futuro onde ele vive. Esse é um desafio importante para a Serra: formar, qualificar e criar condições para que nossos jovens tenham motivos para permanecer, empreender e crescer na região.

TS-Você costuma defender o protagonismo feminino na política. Como incentivar mais mulheres a ocuparem espaços de liderança?

O primeiro passo é mostrar que a política também é lugar de mulher. Muitas mulheres têm capacidade, experiência, sensibilidade e força para liderar, mas ainda carregam inseguranças ou enfrentam ambientes que não as estimulam a participar.

Eu acredito muito no exemplo. Quando uma mulher vê outra ocupando um espaço de decisão com seriedade, equilíbrio e resultado, ela passa a enxergar aquilo como possível também. Eu vi isso na minha trajetória. Quando assumi a prefeitura de Palmeira, em 2016, era a única prefeita na Amures. Em 2020, quando me reelegi, passamos a ser três. Agora, depois que deixei o cargo, são seis prefeitas, e sempre ouço o depoimento de que, depois que viram o trabalho que desenvolvi em Palmeira, as pessoas votariam em mulheres. Por isso, contar histórias, abrir portas, apoiar outras mulheres e criar redes de incentivo é tão importante.

E aqui, também precisamos ser honestas: incentivar mulheres não é apenas convidá-las para participar. É garantir condições reais para que elas permaneçam, sejam ouvidas e tenham protagonismo. A mulher não quer estar na política apenas para compor espaço ou ser uma cota. Quando ela entra é para contribuir, decidir e transformar.

TS-Quais são as principais demandas que você escuta da população da Serra Catarinense durante suas visitas e conversas?

A Serra tem demandas muito claras, e muitas delas aparecem em praticamente todos os municípios: infraestrutura, estradas, saúde, educação, oportunidades para os jovens, valorização do campo e fortalecimento da economia regional.

Mas, além das demandas concretas, existe uma demanda simbólica muito forte: as pessoas querem ser ouvidas. Querem sentir que a realidade delas importa. Cada cidade, cada bairro, cada comunidade rural tem uma necessidade específica, e isso só se entende estando perto e ouvindo as pessoas.

Eu tenho ouvido muito que a Serra precisa ocupar mais espaço. Não por vaidade regional, mas porque temos produção, cultura, turismo, agricultura, indústria, educação e gente preparada. A região tem força. O desafio é transformar essa força em representação, planejamento e resultado.

TS-Sua trajetória começou no Legislativo municipal e passou pelo Executivo. Como essa experiência contribui para uma possível atuação em Brasília?

Eu defendo, inclusive, que todo deputado deveria ser prefeito antes de ser deputado. Ter passado pelo Legislativo e pelo Executivo me deu uma visão muito completa da vida pública. No Legislativo, aprendi a ouvir, dialogar, fiscalizar, construir caminhos e representar as demandas das pessoas. No Executivo, aprendi o peso da decisão, da gestão, do planejamento, da responsabilidade com o orçamento e da entrega concreta.

Essa experiência é muito importante porque Brasília exige justamente essa combinação: capacidade de diálogo e compreensão da realidade na ponta. Não basta conhecer o processo político. É preciso saber como uma decisão tomada longe impacta a vida de uma escola, de um agricultor, de uma família, de uma cidade pequena. E também é importante conhecer as dificuldades dos prefeitos, que lidam com toda burocracia da máquina pública para conseguir entregar as obras à população.

Eu acredito que quem já administrou um município entende melhor a urgência das pessoas. Sabe que recurso parado, obra atrasada e burocracia excessiva têm consequência real na vida de quem espera.

TSComo você define sua forma de fazer política?

Eu faço política com foco nas pessoas, com presença, escuta e responsabilidade. Para mim, política não pode ser feita de longe. É preciso estar perto das pessoas, entender a realidade, ouvir com atenção e trabalhar para transformar as demandas em resultado.

Eu fico muito triste e preocupada com os dias atuais, onde muitos políticos se lançam candidatos de rede social, não conhecem os municípios, e atraem as pessoas com base em cortes, opiniões polêmicas e brigando com outros na internet.

Rede Social é importante e saber o que o político pensa, também, mas eu acredito em uma política séria, sem promessa fácil. A vida pública exige coragem, mas exige também planejamento, equilíbrio e respeito com o dinheiro público. Boa intenção sozinha não basta. É preciso método, equipe, articulação e capacidade de entrega.

Eu venho de uma realidade simples, e isso me ensinou algo que levo para a política: a palavra precisa ter valor. Quando a gente assume um compromisso, precisa trabalhar para cumprir.

TS-Que mensagem gostaria de deixar para as mulheres que sonham em transformar suas comunidades através da política?

Eu diria para elas não esperarem se sentirem totalmente prontas para começar. Comecem. Muitas vezes, a gente acha que precisa ter todas as respostas, toda a segurança e todas as condições ideais. Mas a verdade é que a caminhada também forma a gente.

Se você conhece a realidade da sua comunidade, gosta de gente, se tem vontade de servir, se se importa com as pessoas e está disposta a aprender e trabalhar, você já tem algo muito importante. A política precisa de mulheres assim: mulheres reais, com história, coragem, sensibilidade e compromisso.

E eu diria também: não tenham vergonha da própria trajetória. Aquilo que muitas vezes parece pequeno aos olhos dos outros pode ser exatamente a força que vai fazer você entender melhor as pessoas e liderar com mais verdade.

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