A médica psiquiatra Dra. Inês Gullich está entre os profissionais que serão homenageados com o Troféu Top Saúde & Bem-Estar 2026, no dia 16 de agosto, no Cerro Azul Hotel Fazenda, na Serra Catarinense.
Reconhecida por uma trajetória profissional sólida e admirável, Dra. Inês se destaca pela dedicação à medicina, pelo compromisso com a saúde mental e pela busca constante por conhecimento e inovação. Ao longo de sua carreira, vem construindo uma atuação que alia excelência médica, acolhimento, educação e empreendedorismo, sempre colocando o cuidado com o paciente no centro de seu trabalho.
Médica Psiquiatra — CRM-SC 17674 | RQE 17447, é especialista em Medicina de Família e Comunidade — RQE 16762; Psiquiatria da Infância e Adolescência — RQE 22487; e Psicogeriatria — RQE 23938. Também é Mestre em Ciências pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), formação que reforça sua dedicação à atualização científica e à qualificação profissional.
À frente do Psiquiatria 360º, do Psiquiatria Injetável e da CliniGAMA – Gralha Azul Medicina Áurea — CRMSC 5591, Dra. Inês também se destaca como professora e empresária. Sua atuação em diferentes frentes demonstra uma visão ampla da medicina e do cuidado, conectando conhecimento técnico, inovação e gestão.
Por trás da profissional dedicada e empreendedora, está também uma mulher que valoriza a família. Casada e mãe de Chaíne e Mathias, Dra. Inês concilia os desafios da vida profissional com os vínculos e valores que considera essenciais.
TS–Dra. Inês, o que significa, na prática, trabalhar com uma visão 360° e integrativa da psiquiatria?
Significa compreender que não existe uma mente separada do corpo, da história e do ambiente em que a pessoa vive. O paciente não é apenas um diagnóstico ou um sintoma. É preciso considerar genética, vínculos, rotina, sono, alimentação, condições clínicas e sua maneira de enxergar a vida.
A psiquiatria integrativa não abandona a ciência. Ela amplia o olhar e associa estratégias baseadas em evidências de forma individualizada. A visão 360° é justamente não reduzir uma pessoa à sua doença.
TS.Hoje, quais são os principais sinais de que uma pessoa precisa procurar ajuda psiquiátrica?
O sofrimento nem sempre aparece como uma crise. Pode começar com perda de prazer, alterações no sono, irritabilidade, isolamento, dificuldade de concentração e mudanças no apetite, humor ou energia.
Crises de ansiedade, medo intenso, impulsividade e sensação de que a vida perdeu o sentido também merecem atenção. Não é necessário esperar chegar ao limite para procurar ajuda.
TS–A saúde mental de crianças e adolescentes tem recebido mais atenção. Quais mudanças você percebe nessa área?
Hoje, famílias, escolas e profissionais estão mais atentos ao sofrimento emocional de crianças e adolescentes. Comportamentos que antes eram vistos apenas como “birra”, “preguiça” ou “fase” passaram a ser observados com mais cuidado.
Também surgiram novos desafios relacionados às telas, à comparação, à pressão por desempenho e ao isolamento. Ao mesmo tempo, precisamos ter cuidado para não transformar toda emoção em diagnóstico. A avaliação deve considerar a criança, a família, a escola e todo o seu contexto.
TS–Como a família pode identificar que uma criança ou adolescente está enfrentando um sofrimento emocional que vai além de uma fase?
O principal sinal é uma mudança persistente no comportamento. Isolamento, perda de interesse, queda no rendimento escolar, alterações importantes no sono e alimentação, irritabilidade intensa e falas de desvalor precisam ser observados.
Mais importante do que interrogar é criar um espaço seguro para conversar. Quando o sofrimento persiste, causa prejuízos ou oferece algum risco, é importante buscar avaliação especializada.
TS–Na outra ponta da vida, quais são os principais desafios da saúde mental dos idosos?
O envelhecimento pode envolver perdas de autonomia, saúde, pessoas queridas e funções sociais. Solidão, luto, doenças crônicas, dor e alterações cognitivas também interferem diretamente na saúde mental.
Um dos grandes desafios é não considerar tristeza, esquecimento ou isolamento simplesmente como algo “normal da idade”. Como psicogeriatra, acredito que cuidar do idoso é também preservar sua dignidade, sua história e seu pertencimento.
TS-Ansiedade, estresse e esgotamento estão cada vez mais presentes. O que mais tem chegado ao seu consultório atualmente?
Tenho recebido muitas pessoas que continuam funcionando mesmo estando emocionalmente esgotadas. São profissionais, mães, pais, estudantes e cuidadores que perderam o sono, a disposição e a capacidade de sentir prazer.
Também são frequentes ansiedade, depressão, transtorno bipolar, TDAH, insônia e sintomas físicos relacionados ao sofrimento emocional. Vivemos em uma sociedade que valoriza muito a produtividade e fala pouco sobre limites.
TS-Qual a importância de olhar para o paciente como um todo, considerando rotina, sono, alimentação, relações e estilo de vida?
É fundamental, porque todos esses fatores conversam com o cérebro. Sono, alimentação, rotina e relações interferem diretamente no humor, na memória, na ansiedade e na qualidade de vida.
Isso não significa substituir psicoterapia, medicamentos ou outros tratamentos quando necessários. Significa somar recursos e construir um plano terapêutico individualizado, baseado em ciência e adequado à realidade de cada paciente.
TS–Ainda existe preconceito em relação ao tratamento psiquiátrico? Como podemos quebrar esse estigma?
Ainda existe, e isso faz muitas pessoas sofrerem em silêncio. Há quem tenha medo de ser considerado fraco ou incapaz simplesmente por procurar tratamento.
Eu conheço esse sofrimento não apenas como médica. Em minha própria trajetória, atravessei momentos difíceis relacionados à saúde mental. Isso me ensinou que um diagnóstico não encerra uma história e não diminui o valor de ninguém.
Precisamos falar sobre saúde mental com seriedade e sem julgamento. Buscar tratamento é cuidado e pode ser o primeiro passo para recuperar qualidade de vida e autonomia.
TS–Com uma trajetória tão ampla na medicina, o que mais lhe realiza profissionalmente?
O que mais me realiza é acompanhar transformações reais: ver um paciente voltar a dormir, estudar, trabalhar, conviver com a família e imaginar novamente um futuro.
Também encontrei um propósito muito forte na formação de médicos. Mais de 300 profissionais já passaram pelas nossas formações, ampliando o alcance desse cuidado.
Agora, o Psiquiatria 360º chega a São Paulo, com um encontro presencial nos dias 4, 5 e 6 de setembro, levando ciência, prática, gestão, inovação e troca de experiências para outros profissionais.
Outro projeto muito especial é o lançamento do meu livro, “A menina que falava alemão”, no qual conto a história de uma menina do interior que atravessou perdas e dificuldades, mas continuou sonhando. É uma obra sobre origem, coragem e transformação.
TS-Para finalizar, que mensagem você deixaria para quem está sofrendo emocionalmente, mas ainda tem receio de buscar ajuda?
Eu diria: você não precisa esperar desmoronar para reconhecer que está doendo.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um gesto de coragem e respeito pela própria vida. Converse com alguém de confiança, procure um profissional e permita-se ser cuidado.
Aprendi que algumas transformações começam por dentro antes de serem percebidas por quem está de fora. Talvez você ainda não consiga enxergar sua própria força, mas isso não significa que ela não exista.
A sua dor merece ser ouvida. A sua história não termina no momento mais difícil. Buscar ajuda pode ser o início de um novo capítulo.
A homenagem à Dra. Inês Gullich integra o Top Saúde & Bem-Estar Experience 2026, evento que reunirá profissionais e personalidades que se destacam por suas trajetórias e contribuições para a saúde e o bem-estar.
A celebração acontece no dia 16 de agosto, no Cerro Azul Hotel Fazenda, e também marca o lançamento da 54ª edição da Revista Top Society, em uma tarde de saúde, conexões, experiências, inspiração e reconhecimento.
