Em um cenário onde experiência, conexão e autenticidade deixaram de ser diferenciais para se tornarem pilares essenciais no universo fashion, conversei com Bruna Mandelli, responsável pelo “Fashion Trade” da Lafort, sobre os caminhos do varejo de moda e as transformações no comportamento do consumidor contemporâneo.
Mais do que uma conversa, foi uma troca rica sobre como as marcas vêm se reposicionando para além do produto, criando narrativas, vínculos e experiências que realmente geram identificação. Bruna traz um olhar estratégico que conecta branding, experiência e resultado, traduzindo com clareza os movimentos de um mercado cada vez mais dinâmico e exigente.
Durante o encontro no ParkShopping Barigui, ela compartilhou sua visão sobre construção de marca, experiência no ponto de venda e o novo perfil do consumidor, além de destacar os diferenciais da coleção outono/inverno da Lafort. A temporada chega inspirada no conceito Cosmopolitan, refletindo o ritmo das grandes cidades e a multifaceta da mulher contemporânea, com peças que equilibram sofisticação, versatilidade e identidade.
TS: O conceito de “brand experience & connection” está presente na sua bio. Como você traduz isso na prática dentro do varejo?
Eu me posiciono dentro do que nomeei de “fashion trade”, um olhar que conecta branding, experiência e venda dentro do varejo de moda.
Hoje, mais do que vender produto, o varejo precisa criar vínculos. Produto passa, mas a experiência e o sentimento permanecem.
Na prática, isso significa transformar a loja em um ponto de encontro, em um espaço onde a cliente não vai apenas comprar, mas viver a marca. Desde o atendimento ao ambiente, às ativações e eventos, tudo precisa gerar identificação e memória.
No meu trabalho, traduzo isso criando experiências que façam sentido para aquele momento: ações personalizadas, parcerias relevantes e ativações que despertam emoção. Porque é isso que constrói conexão real.
TS: Qual a importância de eventos presenciais, como o realizado no ParkShopping Barigui, para gerar desejo e posicionamento de marca?
Os eventos presenciais hoje têm um papel ainda mais relevante.
Em um mundo cada vez mais digital e superficial, as pessoas buscam pertencimento, troca e conexão real.
A loja deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a ser um refúgio, um lugar onde a cliente se sente vista, acolhida e parte de algo.
Ações como essa criam exatamente isso: aproximam, geram desejo de forma orgânica e posicionam a marca de maneira muito mais profunda do que qualquer mídia isolada conseguiria.
TS: Na sua visão, o que diferencia uma marca de moda que realmente se conecta com o público hoje?
Autenticidade.
Hoje o consumidor percebe tudo. Marcas muito distantes, perfeitas demais ou excessivamente conceituais geram admiração, mas nem sempre conexão.
O que aproxima é o real: bastidores, processos, pessoas e história. Quando a cliente entende o valor por trás da peça — do tecido à construção —, a conexão acontece.
Conexão vem de verdade.
TS: Como você enxerga o comportamento do consumidor de moda nos últimos anos? O que mais mudou?
O consumidor está mais rápido, mais informado e muito mais multifacetado.
Ele transita entre estilos, referências e marcas com facilidade. Ao mesmo tempo, cresce a busca por propósito, qualidade e identificação.
A moda pode ser passageira, mas marcas com essência e consistência permanecem. O desafio está em manter esse DNA forte, com capacidade constante de evolução.
TS: Quais estratégias você considera essenciais para transformar clientes em verdadeiros embaixadores da marca?
Tudo começa com entendimento profundo da cliente.
A partir disso, é sobre criar experiências onde ela se sinta parte da marca — e não apenas consumidora. Personalização, benefícios exclusivos, proximidade e consistência são fundamentais.
Quando a cliente se sente vista e valorizada, ela naturalmente se torna uma embaixadora.
TS: Como você equilibra tendências globais com o perfil do público brasileiro?
A tendência global inspira, mas quem direciona é o cliente.
O Brasil tem um lifestyle muito próprio, de clima, comportamento e cultura, que influencia diretamente o consumo.
O equilíbrio está em traduzir essas tendências de forma relevante e usável. Mais do que seguir, é filtrar e adaptar com inteligência.
TS: Para quem deseja atuar com marketing de moda, quais são os principais aprendizados e habilidades indispensáveis hoje?
É uma área que exige visão 360°.
É preciso entender de produto, comportamento, branding, experiência e resultado ao mesmo tempo. Ter repertório estético, olhar estratégico e sensibilidade para o consumidor.
Além disso, agilidade e capacidade de adaptação são indispensáveis, porque a moda muda rápido — e o mercado também.
TS: Bruna, o que define a essência da coleção outono/inverno da Lafort nesta temporada?
A coleção traz o conceito Cosmopolitan, inspirado no ritmo das grandes cidades e na mulher contemporânea.
É uma mulher em movimento, que transita entre diferentes momentos do dia com naturalidade.
A coleção traduz isso em peças versáteis, com contraste entre fluidez e estrutura, além de uma riqueza de texturas. Existe um equilíbrio entre força e leveza, traduzido em cores marcantes, materiais sofisticados e uma estética urbana.
TS: Como a Lafort traduz elegância e conforto nas peças de inverno?
Esse é um dos grandes diferenciais da marca.
A Lafort é muito reconhecida pelos tecidos tecnológicos e tricots que unem conforto e sofisticação. As modelagens são pensadas com precisão, valorizando o corpo sem abrir mão da fluidez.
O resultado são peças que acompanham o ritmo da mulher contemporânea — elegantes, práticas e extremamente confortáveis.
Amei fazer parte do universo Lafort com a Lista VIP — e te entrevistar, Bruna. Foi uma experiência que vai além do momento: traduz com sensibilidade tudo o que a marca propõe, da conexão genuína ao cuidado com cada detalhe.
Estar presente, vivenciar de perto e ouvir sua visão torna tudo ainda mais consistente e inspirador. A Lafort não entrega apenas moda, mas constrói relações, memórias e pertencimento.
Fica o encantamento — e a certeza de que experiências assim permanecem.
