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Vinho produzido a 1.200 metros de altitude destaca Santa Catarina no cenário nacional

Sauvignon Blanc 2026 da Quinta da Neve é o único catarinense entre as 16 amostras escolhidas para a degustação comentada da Avaliação Nacional de Vinhos

O Sauvignon Blanc 2026 da Quinta da Neve, de São Joaquim, foi o único catarinense entre as 16 amostras escolhidas para a degustação comentada da 34ª Avaliação Nacional de Vinhos. Os resultados foram apresentados no sábado, 17 de outubro, em Bento Gonçalves (RS), durante a maior degustação de vinhos de uma safra do mundo, segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE), promotora do evento, que celebra 50 anos de história em 2026.

Referência para conhecer a qualidade e as características da produção brasileira, a avaliação recebeu 558 amostras de 83 vinícolas de dez estados e do Distrito Federal. A seleção foi conduzida às cegas por 109 enólogos, sem identificação dos produtores. Na categoria Branco Aromático, o Sauvignon Blanc da Quinta da Neve alcançou mediana de seleção de 93 pontos e foi o único catarinense entre as 16 amostras escolhidas para a degustação comentada.

A presença dos vinhos de altitude na avaliação também incluiu a vinícola Thera, com três amostras classificadas entre os 30% mais representativos da safra: um vinho base para espumante de Chardonnay e Pinot Noir, um Sauvignon Blanc na categoria Branco Aromático e um Chardonnay na categoria Branco Não Aromático. Juntas, Quinta da Neve e Thera responderam pelas quatro amostras catarinenses desse grupo.

Frutas tropicais, frescor e complexidade

A enóloga da Quinta da Neve e engenheira agrônoma Betina de Bem, doutora em Viticultura e Enologia, explica como as condições da safra contribuíram para o perfil do vinho. “A safra 2026 foi excelente, com clima seco próximo à colheita. Esse Sauvignon Blanc manteve as notas de frutas tropicais, como maracujá e pêssego, mas também o frescor e as notas levemente herbáceas, o que traz uma grande complexidade”, afirma.

A escolha de inscrever a variedade, segundo Betina, considera tanto sua expressão regional quanto o estágio de evolução do branco no período da análise. “Sempre mandei o Sauvignon Blanc porque acredito que ele expressa muito a nossa região de altitude. Por ser um branco fresco, no momento da seleção, que é feita em agosto, ele já está mais pronto que os tintos. Essa avaliação é muito importante, e a seleção exige muito do vinho para ficar entre as 16 amostras. Neste ano, conseguimos!”, comemora.

Valorização da origem

Para o presidente da Vinhos de Altitude Produtores e Associados, Ernani Luiz Garcia, a seleção da Quinta da Neve é motivo de orgulho e reforça o compromisso da região com a qualidade. “É um reconhecimento ao trabalho da vinícola e de seus profissionais, que traduz a busca pela excelência, uma premissa dos vinhos de altitude. Esse resultado valoriza nossa região e convida o público a conhecer sua produção e suas experiências”, afirma.

Os Vinhos de Altitude de Santa Catarina contam com o reconhecimento de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, concedido em 2021, que valoriza a origem da produção regional.

Retrato da safra brasileira

A seleção ocorreu em duas etapas. Primeiro, os enólogos identificaram as amostras que integram o grupo dos 30% mais representativos da safra, no qual Santa Catarina teve quatro classificadas. Desse conjunto, os vinhos que apresentaram a maior nota em cada categoria foram as 16 amostras apresentadas na degustação comentada: 14 do Rio Grande do Sul, uma de Santa Catarina, o Sauvignon Blanc da Quinta da Neve, e uma do Distrito Federal. Realizada desde 1993, a Avaliação Nacional de Vinhos apresenta um diagnóstico da qualidade e das características de cada safra.

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