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Protagonismo feminino avança entre desafios, liderança e saúde mental

Na esteira das transformações no mercado de trabalho e da crescente presença feminina em cargos de liderança, o Brasil apresenta um cenário de avanços e desafios estruturais. Dados do estudo Women in Business 2024, da Grant Thornton, apontam que, embora tenha havido crescimento no protagonismo de mulheres no topo das organizações — o número de mulheres na cadeira de CEO no Brasil dobrou entre 2019 e 2024, passando de cerca de 3% para 6%, e a presença feminina em posições executivas aumentou de 23% para 34% no mesmo período —, a representatividade em cargos mais influentes ainda está distante da paridade.

No Vale do Itajaí, histórias de liderança feminina revelam percursos marcados por construção profissional consistente e visão estratégica. Karine Moreira trilhou sua trajetória de forma gradual: começou como garçonete, anos depois tornou-se gerente e, com dedicação e olhar atento para os negócios, cresceu profissionalmente até se tornar sócia do restaurante Oliv, em Blumenau.

“Quando era mais jovem, foi mais desafiador enquanto mulher. Eu trabalhava à noite, em um ramo com poucas mulheres atuando e em algumas áreas de trabalho mais operacionais e pesadas. Tudo isso foi me moldando. Ser sócia com 25 anos, também foi um grande desafio: muito jovem em uma área tão complexa. Com o tempo, a jovem mulher foi se tornando uma mais sábia e preparada. Hoje tenho muitas responsabilidades e desafios diários, mas é um equilíbrio com as alegrias e conquistas que venho tendo. Sou muito grata pela mulher que me tornei. Meu lema para sempre crescer e me superar é a frase da Estée Lauder ‘eu nunca sonhei com o sucesso. Trabalhei para isso’”, compartilha Karine.

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Executivas e empreendedoras de Santa Catarina compartilham desafios, aprendizados e suas visões sobre o papel feminino no mercado, em um cenário que ainda convive com desigualdades e oportunidades emergentes. Divulgação

À frente da gerência executiva da Fritz Müller – Hub de Conhecimento, Raquel Schürmann construiu carreira no ambiente corporativo até assumir posição de liderança na instituição dedicada ao desenvolvimento de empresas e pessoas. Do lugar que ocupa hoje, observa um movimento consistente de mulheres em busca de maior espaço e influência. “Tenho acompanhado uma mudança importante na postura das profissionais, que estão cada vez mais preparadas e dispostas a assumir responsabilidades estratégicas. Ainda há barreiras culturais, mas há também uma rede crescente de apoio e qualificação que fortalece essa caminhada”, afirma.

Para Ionita Lunelli, gerente regional do Sebrae no Vale do Itajaí, o empreendedorismo feminino é tanto uma estratégia de inserção no mercado quanto uma forma de realização pessoal, mas os desafios são concretos. “Uma pesquisa realizada pelo Sebrae indica que 76% das mulheres se sentem sobrecarregadas ao tentar equilibrar família e empresa, em comparação com 55% dos homens. Isso acontece porque as mulheres empregam muito mais tempo em atividades domésticas e cuidado com a família”, afirma. Segundo ela, programas como o Sebrae Delas são fundamentais para fortalecer redes de apoio, capacitação e segurança na tomada de decisões.

A experiência prática também marca a trajetória de Camila Burschinski, proprietária do restaurante Rota da Truta. À frente do negócio, ela conduz a expansão da marca por meio de franquias e lida diariamente com os desafios da liderança. “Conciliar vida pessoal e profissional é um dos maiores desafios. Mas o processo também traz muitos aprendizados. No meu caso, foram superar a timidez e ganhar desenvoltura para lidar com o público. Acredito que mulheres em cargos de liderança trazem evolução para a sociedade como um todo”, diz Camila.

Saúde mental

Em um contexto de múltiplas responsabilidades e alta exigência por performance, a saúde mental tornou-se pauta central na trajetória de muitas lideranças femininas. Cuidar de si deixou de ser um tema periférico e passou a ser condição para a sustentabilidade dos negócios e das carreiras.

Fabiana Koch, da Fique Bem, empresa de palestras e mentorias que comanda ao lado do marido, Mauro Koch, compartilha sua vivência de enfrentamento da depressão associada ao burnout, quadro aprofundado pela menopausa. “As profissionais sofrem em silêncio — e é algo que toda mulher pode enfrentar, com mais ou menos intensidade. Buscar acompanhamento adequado é fundamental. É preciso compreender esse novo cenário, ajustar a rotina e evitar uma autocobrança excessiva”, aconselha. Hoje, ela organiza sua rotina com equilíbrio entre trabalho e descanso para manter produtividade e bem-estar — e leva essa reflexão a outras mulheres em seu trabalho diário de consultoria, incentivando lideranças mais conscientes e sustentáveis.

Fundadora da Bonanza Consultoria, Mariane Oriques também defende que o desenvolvimento do negócio passa, necessariamente, pelo autoconhecimento. Para ela, olhar para si, reconhecer limites e potencialidades e investir em crescimento pessoal são movimentos que se refletem diretamente na cultura e nos resultados da empresa. “Quando a mulher se permite ocupar espaços de liderança sem abrir mão de quem ela é, o impacto vai além do resultado financeiro. Empresas lideradas por mulheres tendem a construir ambientes mais colaborativos, com comunicação mais aberta e decisões mais conscientes. Cuidar de si não é um luxo — é uma estratégia de gestão”, afirma.

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