A reconstrução mamária evoluiu de forma significativa nos últimos anos e hoje oferece diferentes possibilidades para mulheres que passam por uma mastectomia em decorrência do câncer de mama. Próteses, tecidos da própria paciente, enxerto de gordura ou a combinação dessas técnicas podem ser utilizados de acordo com o diagnóstico, o tratamento oncológico e as características individuais de cada mulher.
Segundo o cirurgião plástico Ricardo Votto, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário e coordenador do Ambulatório de Reconstrução de Mama da UFSC, não existe uma solução única para todas as pacientes.
“A escolha depende de uma soma de fatores: o tipo de diagnóstico, o tratamento necessário, as características da mama, o momento de vida da paciente e também a necessidade de tratamentos complementares, como quimioterapia e radioterapia”, explica.
A reconstrução pode ser feita de forma imediata, no mesmo momento da mastectomia, ou posteriormente, após o tratamento oncológico. Quando possível, a reconstrução imediata pode reduzir o impacto psicológico provocado pela retirada da mama e os estigmas relacionados à mastectomia.
Atualmente, as reconstruções com próteses estão entre as mais realizadas. As técnicas com tecidos da própria paciente também permanecem como alternativa em determinados casos, enquanto o enxerto de gordura vem ganhando espaço como recurso para aprimorar os resultados.
“A reconstrução de mama é uma das áreas que mais evoluiu nos últimos 20 anos. A qualidade dos implantes permite resultados mais naturais, principalmente quando associada ao enxerto de gordura. Também existem técnicas chegando ao Brasil voltadas à melhora da sensibilidade das mamas após a mastectomia”, afirma Votto.
Para o cirurgião, a reconstrução também tem impacto na relação da mulher com o próprio corpo após o câncer. Além de recuperar forma e volume, o procedimento pode contribuir para a autoestima, a qualidade de vida e a retomada da rotina após o tratamento.
Mutirão de reconstrução mamária no Outubro Rosa
Como parte da programação do Outubro Rosa, o Ambulatório de Reconstrução de Mama do Hospital Universitário da UFSC realiza mais uma edição do mutirão voltado a pacientes que aguardam pelo procedimento. A previsão segue entre 20 e 30 reconstruções mamárias, de média e alta complexidade.
Criado em 2019, o serviço contribuiu para reduzir uma espera que, segundo Ricardo Votto, chegava a 19 anos em alguns casos. Atualmente, o tempo para cirurgia é inferior a seis meses e não há fila para consultas no ambulatório.
A programação deste ano inclui, no dia 16 de outubro, no Delfino, um encontro com cirurgiões convidados aberto a médicos e estudantes da região. No dia 17 de outubro, serão realizadas as cirurgias no Hospital Universitário.
A reconstrução mamária é um direito assegurado às mulheres submetidas à mastectomia, tanto no SUS quanto na assistência privada.
Sobre Ricardo Votto
Ricardo Votto é cirurgião plástico, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário e coordenador do Ambulatório de Reconstrução de Mama da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Atual secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP/SC) e regente do capítulo de mamoplastia (SBCP).
