
Obra “Movências” de Audrey Laus
Exposição “Meyer Filho – O Calculista Delirante”, apresentada durante as comemorações dos 50 anos da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos, acontece no Memorial Meyer Filho, em Florianópolis
Em 2025, a Associação Catarinense dos Artistas Plásticos (ACAP), de Florianópolis, celebrou seus 50 anos de existência. Para marcar a data, foram organizadas oito exposições com o objetivo de revisitar a trajetória e lançar novos olhares sobre as obras de artistas fundadores da entidade. Entre eles está Ernesto Meyer Filho, cuja produção inspirou a criação da mostra “Meyer Filho – O Calculista Delirante”, reunindo trabalhos de nove artistas convidados.
“Uma dessas exposições mergulhou no universo de Meyer Filho. Agora, a convite de sua filha, Sandra Meyer, as obras retornam à sua casa, o Instituto Meyer Filho, com a participação de nove artistas que se debruçaram sobre seu imaginário poético”, explica Meg Tomio Roussenq, curadora do projeto. A mostra ocupa o Memorial Meyer Filho até o dia 24 de julho.
Autodenominado embaixador de Marte na Terra, Meyer Filho construiu uma obra singular, marcada pela tensão entre realidade e fantasia, corpo e cosmos, indivíduo e coletividade. Segundo Meg, sua produção permanece contemporânea não apenas por antecipar tendências estéticas, mas por elaborar uma poética da metamorfose que dialoga com questões urgentes do presente.
“Seus seres antropomórficos funcionam como espelhos deformantes, revelando a condição humana como um estado permanente de transformação”, afirma a curadora.
Nove artistas e seus processos
Permeados pelo imaginário do artista modernista, os nove convidados apresentam leituras distintas de sua obra, por meio de linguagens e pesquisas visuais diversas.
A pintura “Coruja Cósmica”, de Ricardo do Rosário, opera como uma arqueologia do imaginário ao investigar possíveis conexões entre a Ilha do Desterro e os cosmos extraterrestres. Já Larissa Arpana feminiza o universo marciano de Meyer Filho com a obra “Ser Ostra de Vênus”.
Na fotografia infravermelha “Marte é Aqui”, Maria de Minas utiliza imagens do Deserto do Atacama para construir um manifesto de enraizamento. Seu trabalho sugere que as possibilidades de transfiguração do real surgem a partir de tecnologias perceptivas capazes de revelar a materialidade terrestre sob uma perspectiva extraterrestre.
Em “O Encontro dos Abduzidos”, Maria Esmênia imagina um encontro entre Meyer Filho e José, uma pessoa em situação de rua, no planeta Marte. A artista utiliza a fantasia cósmica para evidenciar as distribuições desiguais de direitos, espaços e pertencimentos na Terra.
Gelsyr Ruiz e Onildo Borba ampliam o panorama ao explorarem, respectivamente, as dimensões queer e genéticas presentes no imaginário de Meyer Filho. Rodrigo Gonçalves, por sua vez, trabalha em um registro instalativo que traduz em matéria a própria lógica morfológica do artista homenageado: a transmutação incessante.
Audrey Laus expande a figura do galo — alter ego fálico criado por Meyer Filho — para além do quintal de origem, tensionando a dimensão íntima de sua obra com as urgências da crise climática contemporânea.
Fechando essa constelação de leituras, Sílvia Da Ros apresenta “Qui Omnia Videt” (o que tudo vê), uma narrativa poético-visual que reinsere Meyer Filho em sua própria paisagem: a Lagoa da Conceição. Nela, as criaturas de seus desenhos e pinturas parecem ganhar vida e partir em busca de seu criador.
A exposição “Meyer Filho – O Calculista Delirante” permanece em cartaz no Memorial Meyer Filho até 24 de julho. A entrada é gratuita.
O espaço Memorial Meyer Filho conta com o apoio do Banco do Brasil, da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e da Prefeitura Municipal de Florianópolis.
SERVIÇO
Exposição “Meyer Filho – O Calculista Delirante”
Curadoria: Meg Tomio Roussenq
Horário: das 16h às 18h
Local: Memorial Meyer Filho
(Praça XV de Novembro, 180 – Centro, Florianópolis)
Visitação: até 24 de julho
Horário: de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h
Entrada gratuita

“Qui Omnia Videt” (o que tudo vê) de Sílvia Da Ros

Obra BRDE de Gelsyr Ruiz
