O dia 28 de fevereiro de 2026 ficará para sempre na memória de Josiane Grabriele Frigotto, de 26 anos, e Igor Baldo Machado, de 24. Foi na manhã daquele sábado, após o rompimento da bolsa, que os trigêmeos Lincks, Miguel e Davi nasceram no Hospital Azambuja, em Brusque, mobilizando uma grande equipe multiprofissional e marcando a trajetória da família.
A chegada dos três meninos também evidenciou a importância da estrutura neonatal do hospital para acolher casos de maior complexidade com segurança e proximidade da família. Em uma gestação trigemelar, cada semana é decisiva. Por isso, o nascimento com 34 semanas foi recebido com alívio pela equipe médica e com emoção pelos pais, que viveram a descoberta da gravidez, o pré-natal e agora os primeiros dias dos filhos com uma mistura de surpresa, expectativa e esperança.

Lincks nasceu com 2,105 quilos e 49 centímetros. Miguel veio ao mundo com 2,165 quilos e 49 centímetros. Já Davi, o menorzinho dos três, nasceu com 1,785 quilo e 43,5 centímetros. A gestação também tinha uma particularidade: Davi e Miguel são gêmeos idênticos, enquanto Lincks se desenvolveu separadamente, em outra placenta.
De acordo com o obstetra Reinaldo de Oliveira do Nascimento, responsável pelo parto, a idade gestacional alcançada foi bastante positiva para uma gravidez como essa.

“Na condição de uma gestação trigemelar, a idade gestacional de 34 semanas é algo que até nos conforta, já que na maioria dos casos, por vários motivos, a chance de interrupção dessa gestação em condições de maior prematuridade é bem grande”, explica.
Segundo ele, uma das principais preocupações em casos assim está relacionada à estrutura necessária para receber os bebês, principalmente em relação à equipe pediátrica e à UTI Neonatal. Nesse aspecto, o Hospital Azambuja estava preparado.
Participaram do procedimento um anestesista, um obstetra, um acadêmico de medicina em fase final de formação, uma instrumentadora cirúrgica e uma técnica de enfermagem circulante. Na área pediátrica, atuaram três pediatras, três acadêmicos de medicina — um profissional e um acadêmico para cada bebê —, além de uma enfermeira, uma técnica de enfermagem para auxílio dos pediatras, e posteriormente, toda a equipe da UTI Neonatal, que passou a acompanhar os recém-nascidos.
De acordo com Dr. Reinaldo, os três bebês nasceram bem do ponto de vista respiratório, sem necessidade de auxílio imediato nesse sentido, e seguem em acompanhamento na UTI Neonatal para ganho de peso e evolução clínica.
Para o médico, vivenciar esse tipo de parto deixa uma marca especial. “Na minha carreira profissional foi a segunda vez que acompanhei esse tipo de gestação. É um momento de extrema felicidade e também de responsabilidade, já que estamos lidando com um grande número de vidas, no caso quatro: mãe e três bebês. Isso só mostra a perfeição de Deus e que todo nosso esforço profissional vale a pena, sendo algo extremamente gratificante de viver”, afirma.
Para o diretor administrativo do hospital, Gilberto Bastiani, histórias como essa reforçam o sentido do investimento contínuo da instituição em estrutura e assistência especializada.
“Ter uma UTI Neonatal preparada para acolher bebês que precisam de cuidados intensivos é algo que sempre fez parte do compromisso do hospital com a vida e com as famílias da nossa região. Sempre lutamos para oferecer esse atendimento, justamente para que, em momentos delicados como este, mães, pais e filhos possam permanecer mais próximos de casa, com segurança, estrutura e cuidado humanizado”, ressalta.
Uma descoberta que mudou a rotina da família
A história dos trigêmeos começou com surpresa. Josiane e Igor descobriram que esperavam um bebê. Depois, diante do tamanho da barriga ainda no início da gestação, veio a suspeita de que pudesse ser mais de um. O exame confirmou: eram três.
A gravidez aconteceu de forma natural e, apesar do susto inicial, transcorreu bem. Josiane fez todo o pré-natal pelo SUS, com acompanhamento na Clínica da Mulher, onde recebeu atenção especial da médica Dra. Erika Mauch Vaz, lembrada com carinho pela família pela atenção dedicada em cada consulta e atendimento.
“Foi uma gravidez bem tranquila, mais cansativa, porém mantive minhas atividades até o finalzinho. A médica elogiava bastante, porque foi o tempo todo bem, não tive diabetes gestacional, nem qualquer complicação”, relata.
Nomes que carregam afeto e história
Entre os nomes escolhidos, um chama atenção de imediato: Lincks. Diferente e cheio de significado, ele foi escolhido em homenagem ao avô e ao bisavô paternos dos trigêmeos. Miguel e Davi já estavam definidos, já que o casal suspeitava, inicialmente, de uma gestação gemelar. Quando descobriram que seriam três meninos, faltava encontrar um terceiro nome.
“Meu pai é um cara que sempre me ajudou muito, sempre me apoiou. Então pensei em homenagear ele”, conta Igor, emocionado.
Agora, a expectativa está voltada para a evolução clínica dos bebês na UTI Neonatal, especialmente em relação ao ganho de peso, para que possam receber alta e ir para casa o quanto antes. Enquanto Josiane se recupera do parto, Igor organiza a nova rotina da família para a chegada dos meninos.
Morando atualmente no bairro Brilhante, em Itajaí, o casal passou a costurar junto, na própria casa, ainda durante a gestação, já prevendo a necessidade de estar mais próximo dos filhos. Igor, que antes trabalhava como motorista de caminhão, decidiu aprender a costurar para acompanhar mais de perto esse novo momento da família.
A espera pela alta também é compartilhada por Júlia, filha de Josiane, de 8 anos, e por toda a rede de apoio da família, formada por avós, tios e pessoas próximas, que acompanham com carinho a evolução dos bebês. Até lá, Lincks, Miguel e Davi seguem sob os cuidados da equipe do Hospital Azambuja, em um processo que reforça a importância da estrutura neonatal para acolher casos de maior complexidade com segurança e proximidade da família.





