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Enquanto Ainda Dá Tempo: uma ficção sobre escolhas, recomeços e o valor do presente

Por Karla Cruz

Há livros que apenas contam uma história. Outros provocam o leitor a olhar para a própria vida. Enquanto Ainda Dá Tempo, romance de estreia de Luiz Fernando Costa pertence à segunda categoria: uma ficção sensível sobre escolhas, relações, ausências, recomeços e, principalmente, a forma como usamos a nossa mercadoria mais preciosa — o tempo.

A narrativa acompanha Benício, um homem de 42 anos com uma rotina impecavelmente estruturada. Entre metas, reuniões e planilhas, ele construiu o que a sociedade define como sucesso. Por fora, alguém que chegou exatamente onde planejou; por dentro, um homem que deixou de estar verdadeiramente presente na própria existência.

Até que o corpo diz basta.

É a partir do freio imposto pela saúde que o protagonista percebe o custo invisível das suas conquistas. Em busca de resgate, surge uma lista com dez itens — dez oportunidades de reencontrar quem ele foi, reparar feridas que deixou pelo caminho e reaproximar-se daqueles que esperavam por seu retorno.

Com isso, o livro conduz a uma reflexão urgente: quantas coisas essenciais deixamos para depois na ilusão de que o amanhã é garantido?

Uma conversa adiada, um pedido de desculpas entalado na garganta, um abraço que não se deu, um sonho esquecido na gaveta. Na velocidade da vida contemporânea, tornamo-nos mestres em cumprir prazos, mas analfabetos em vivenciar o que realmente nos faz sentir vivos.

Foi justamente nessa inquietação que o autor encontrou o ponto de partida para sua escrita. Natural de Guaíra (PR), Luiz Fernando Costa traz para a literatura sua bagagem como bacharel em Marketing e Direito — duas áreas que, à sua maneira, exigem sensibilidade para ler o invisível: o comportamento humano por trás dos dados e a essência por trás das cláusulas.

Ao longo dos anos, o autor observou um padrão em clientes, colegas e amigos: trajetórias externas brilhantes, mas marcadas por pendências internas represadas sob a desculpa universal da falta de tempo. Dessa constatação nasceu o romance: uma história de perdas e reencontros, mas, acima de tudo, sobre a coragem de recalcular a rota.

Tive a alegria de receber um exemplar com uma carinhosa dedicatória do autor: “Karla, que esta leitura lhe traga boas reflexões. Com carinho, Luiz.”

E é exatamente essa a entrega da obra. Mais do que testemunhar a jornada de Benício, somos impelidos a examinar nossas próprias prioridades e afetos. Afinal, preencher a agenda está longe de significar preencher a vida.

Enquanto Ainda Dá Tempo nos recorda que o presente exige consciência, afeto e presença. Porque a vida não espera pelo momento perfeito — e a hora de recomeçar é agora, enquanto ainda dá tempo.

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