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Conversa com Daniela Reis: Transformando o Yoga em Propósito de Vida

Hoje converso com Daniela Reis, curitibana e fundadora do Gaya Bem-Estar, um dos espaços mais relevantes do wellness no Brasil, com atuação de destaque no Centro Médico do ParkShopping Barigui.

Com uma trajetória que equilibra ciência, sensibilidade e propósito, Daniela transformou o yoga em muito mais do que uma prática: em uma experiência de vida. Seu trabalho impacta pessoas para além do físico, promovendo equilíbrio, consciência e presença no cotidiano.

Há mais de duas décadas à frente do Gaya, ela inspira uma nova forma de enxergar o bem-estar — mais autêntica, mais humana e, acima de tudo, possível.

Nesta conversa, Daniela compartilha sua jornada, sua visão sobre o mundo atual e como pequenos hábitos podem transformar profundamente a nossa vida.

Uma leitura leve, inspiradora e cheia de significado.

TS: Como começou sua jornada no yoga e o que te levou a transformar essa prática em propósito de vida?Comecei a praticar yoga muito jovem, aos 18 anos, em um momento em que pensava em seguir a medicina. Sempre existiu em mim um desejo genuíno de cuidar das pessoas. Por questões pessoais, não segui esse caminho, mas dentro do yoga encontrei outra forma de exercer esse cuidado. Ainda muito nova, comecei a dar aulas e percebi algo transformador: a mudança real na vida das pessoas. Não apenas no corpo, mas na forma como pensavam, sentiam e se relacionavam com a própria vida. Foi nesse momento que o yoga deixou de ser apenas uma profissão e se tornou um propósito. Hoje, costumo dizer que é a medicina que posso oferecer, integrando corpo, mente e emoções.

TS: Você é fundadora do Gaya Bem-Estar. Como nasceu esse projeto e qual é a sua missão?
O Gaia nasceu de uma intenção simples: reconhecer o valor do outro. Vivemos em uma sociedade acelerada, onde falta tempo para olhar, escutar e estar presente. Muitas vezes, as pessoas deixam de se sentir vistas. Desde o início, quis criar um espaço onde cada pessoa fosse reconhecida na sua individualidade, não como cliente, mas como ser humano. Mais de 20 anos depois, essa essência permanece. Nossa missão é inspirar as pessoas a reconhecerem o seu melhor, mesmo em um mundo que constantemente reforça a sensação de insuficiência.

TS: O que você acredita ser essencial na formação de um bom profissional de yoga?
Hoje existe muito acesso à técnica, mas isso, por si só, não forma um bom professor. Um bom professor é aquele que consegue se conectar com o outro. Existe uma frase que me acompanha: o bom professor é aquele capaz de sentir a dor do outro. Quando essa conexão acontece, a prática deixa de ser apenas física e se transforma em um espaço de presença, escuta e transformação.

TS: Como o yoga impactou sua vida emocional e espiritual?
O yoga está presente em mais da metade da minha vida e moldou profundamente minha forma de ver o mundo. Um dos maiores aprendizados foi a impermanência. Hoje consigo lidar melhor com emoções difíceis, entendendo que elas passam. Isso não elimina a dor, mas transforma a forma de vivê-la, trazendo equilíbrio emocional e sentido espiritual.

TS: Quais benefícios você observa nos seus alunos?
O yoga é uma ferramenta multidimensional. No corpo, melhora dores, força, mobilidade e sono. Mas os efeitos mais profundos estão no sistema nervoso: as pessoas respiram melhor, reagem menos e desenvolvem consciência sobre si mesmas. Essa auto-observação é um dos maiores ganhos da prática.

TS: Como você vê o crescimento do yoga e do bem-estar no Brasil?
Esse crescimento está muito ligado à internet, que ampliou o acesso ao conhecimento. Hoje temos mais diversidade de abordagens e mais alcance, mas ainda há espaço para evoluir em profundidade e qualidade.

TS: Como você define o bem-estar nos dias atuais?
O conceito se tornou amplo e, às vezes, até confuso. Já vivemos uma “ditadura do bem-estar”, com regras rígidas que afastaram muitas pessoas. Acredito que o bem-estar precisa ser adaptável à vida real, construído com autoconhecimento e responsabilidade. Ele está no equilíbrio entre consciência, experiência e orientação de qualidade.

TS: Para quem quer começar no yoga, qual o primeiro passo?
Aceitar que você não precisa começar bem. Existe um medo de não ser flexível ou forte o suficiente, mas toda prática começa no desconforto, e isso faz parte. O mais importante é escolher um ambiente acolhedor.

TS: O que diferencia o seu método de ensino?
O método do Gaia se apoia em três pilares: alinhamento com padrões internacionais, integração com a ciência e desenvolvimento humano do professor. Não é só técnica, é relação, responsabilidade e presença.

TS: Existe um perfil de aluno que mais se conecta com o seu trabalho?
Sim, geralmente pessoas mais pragmáticas, que buscam autoconhecimento e experiência prática, sem necessariamente uma abordagem religiosa. Trabalhamos a conexão com o próprio corpo, mente e emoções.

TS: Quais são os próximos projetos do Gaya?
Criamos o primeiro wellness club do Brasil no ParkShopping Barigui. Agora, o foco é expandir essa experiência e levar o bem-estar também para o mercado imobiliário, integrando essa inteligência aos espaços onde as pessoas vivem.

TS: Que mensagem você deixaria para quem busca uma vida mais leve?
Cuidado para não transformar o bem-estar em mais uma cobrança. A mudança começa nos pequenos hábitos: respirar melhor, fazer pausas, desacelerar. São os pequenos movimentos, repetidos no tempo, que constroem uma vida mais leve. E tudo começa com uma decisão simples: se permitir experimentar.

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