Visão embaçada, maior sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite e a impressão de que as cores perderam intensidade podem ser sinais de catarata. Como a doença costuma avançar de forma lenta e indolor, muitas pessoas associam essas mudanças ao envelhecimento e adiam a procura por atendimento oftalmológico.
O alerta ganha força neste Agosto Cinza, mês dedicado à conscientização sobre a catarata. Em 2025, a cirurgia para tratar a doença ocupou o primeiro lugar entre as filas de procedimentos cirúrgicos eletivos.
Para a Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO), a campanha é uma oportunidade para chamar a atenção justamente para a percepção equivocada de que enxergar pior seria uma consequência inevitável da idade.
“Envelhecer não significa ter que se conformar em enxergar mal. Muitas vezes, a pessoa adapta a rotina sem perceber o quanto a visão já foi comprometida. Deixa de dirigir à noite, precisa de mais luz para ler ou começa a depender de ajuda em atividades que antes fazia normalmente”, explica o presidente da SCO, médico oftalmologista Dr. André Augusto Frutuoso.
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural transparente localizada no interior do olho, perde progressivamente sua transparência. A idade é o principal fator de risco, mas diabetes, tabagismo, uso prolongado de corticoides e exposição à radiação ultravioleta também podem favorecer ou acelerar seu desenvolvimento.
Catarata e longevidade
O tema ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população. No Brasil, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023, segundo o IBGE.
“A catarata está diretamente relacionada à longevidade. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também o número de pessoas que poderão desenvolver a doença. Por isso, cuidar da visão é parte importante de um envelhecimento com independência e qualidade de vida”, ressalta Frutuoso.
O tratamento da catarata é cirúrgico e consiste na retirada do cristalino opacificado e sua substituição por uma lente intraocular. Não existem colírios ou medicamentos capazes de reverter uma catarata já instalada.
Outro conceito que mudou ao longo do tempo é o de esperar a doença avançar muito para realizar o procedimento.
“Está ultrapassada a ideia de que é preciso esperar a catarata ‘amadurecer’ para operar. A indicação considera o quanto a doença está comprometendo a visão e interferindo na vida do paciente. A avaliação oftalmológica é fundamental para definir o momento adequado para o tratamento”, reforça o presidente da SCO.
Além da visão embaçada, merecem atenção sintomas como incômodo crescente com faróis e claridade, halos ao redor das luzes, dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados, alteração na percepção das cores e mudanças frequentes no grau dos óculos sem melhora satisfatória.
Neste Agosto Cinza, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico, especialmente diante de alterações progressivas da visão. Identificar a causa da dificuldade para enxergar é o primeiro passo para preservar segurança, autonomia e qualidade de vida.
