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“Canetas emagrecedoras” podem ajudar no controle da apneia

O ronco costuma ser tratado como algo comum ou até motivo de brincadeira entre familiares. No entanto, ele pode ser um dos sinais mais evidentes da apneia do sono, um distúrbio respiratório que ainda é pouco diagnosticado, apesar de afetar milhões de pessoas. A data do Dia Mundial do Sono, celebrada anualmente para conscientizar sobre a importância de dormir bem, chama a atenção para problemas que muitas vezes passam despercebidos, mas que têm impacto direto na saúde.

Entre os principais fatores associados à apneia está a obesidade. Segundo o médico otorrinolaringologista Dr. Marcio Freitas, o excesso de peso interfere diretamente na respiração durante o sono. “Com o aumento do peso corporal, ocorre uma redução do espaço da faringe, região por onde o ar passa durante a respiração. Além disso, há maior acúmulo de gordura e flacidez dos tecidos dessa área, o que facilita o colapso das vias aéreas durante a noite”, explica.

A perda de peso ajuda a ampliar o espaço das vias aéreas e reduz o colapso respiratório durante a noite. Divulgação

Esse colapso é responsável pelas pausas respiratórias que caracterizam a apneia do sono. O problema é que muitas pessoas não percebem os episódios, que acontecem enquanto dormem, e acabam associando apenas ao ronco. “Existe uma tendência de tratar o ronco como algo normal, quando na verdade ele pode estar ligado à apneia. E como a pessoa não percebe que para de respirar durante a noite, o diagnóstico muitas vezes demora”, afirma o especialista.

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Obesidade tem papel central no problema

Do ponto de vista médico, a obesidade deixa de ser apenas um fator associado e passa a ter um papel central no desenvolvimento da apneia do sono a partir do sobrepeso. Pessoas com índice de massa corporal acima de 26 já podem apresentar sintomas relacionados ao estreitamento das vias respiratórias.

Quando o IMC ultrapassa 30, a obesidade passa a ser um fator determinante. Nos casos de obesidade mórbida, acima de 35, a presença de ronco e apneia torna-se extremamente frequente.

Por isso, o tratamento da obesidade costuma ser uma das estratégias mais importantes para melhorar a qualidade do sono. A perda de peso ajuda a ampliar o espaço das vias aéreas e reduz o colapso respiratório durante a noite.

“Quando o paciente perde peso, há melhora da passagem do ar pela faringe. Isso reduz as pausas respiratórias, melhora a qualidade do sono e diminui sintomas diurnos como cansaço e sonolência”, explica o médico. Em alguns casos, a mudança pode ser significativa. “Pacientes que tinham apneia grave podem evoluir para quadros leves ou até deixar de apresentar o problema.”

O papel das canetas emagrecedoras

Nos últimos anos, medicamentos voltados ao tratamento da obesidade, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, passaram a integrar o arsenal terapêutico utilizado pelos médicos. Entre eles está a tirzepatida, substância que atua no controle metabólico e na redução do peso corporal.

Além de favorecer o emagrecimento, o medicamento pode trazer benefícios metabólicos importantes, como melhora da glicemia, da resistência à insulina, da pressão arterial e de alterações no colesterol e nos triglicerídeos.

Com a liberação da tirzepatida pela Anvisa, o especialista reforça que o uso deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde. “Apesar de ser uma medicação segura e com resultados importantes, não é isenta de efeitos colaterais. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para garantir o uso correto e individualizado”, afirma.

Dormir bem também é cuidar da saúde

A relação entre obesidade, metabolismo e qualidade do sono mostra que a apneia vai muito além de um simples incômodo noturno. Quando não tratada, ela pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e outros problemas de saúde.

Por isso, datas como o Dia Mundial do Sono reforçam a importância de olhar com mais atenção para sinais que muitas vezes são ignorados. “A apneia não deve ser vista como algo normal. Identificar os fatores envolvidos, como a obesidade, e tratar adequadamente faz toda a diferença para a saúde e a qualidade de vida”, conclui o médico.

Sobre o Dr. Marcio Freitas

O Dr. Marcio Freitas é médico otorrinolaringologista, com 26 anos de formação pela Santa Casa de São Paulo, onde também realizou residência médica. Atua há mais de 23 anos em Jaraguá do Sul, com sólida experiência clínica e cirúrgica. É especialista em distúrbios respiratórios e do sono, apneia do sono, cirurgias nasais funcionais e estéticas, cirurgia plástica da face, rinoplastia, blefaroplastia, otoplastia e lifting facial. Possui especialização em Cirurgia Plástica da Face pela Universidade de Miami, no Jackson Memorial Hospital. Também é professor assistente na Harvard University, unindo prática médica de excelência, atualização constante e atuação acadêmica internacional. Saiba mais em @‌clinica.drmarciofreitas e https://drmarciofreitas.com.br .

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