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Café com Deus Pai: Um Café, Uma História, Um Propósito

A jornada transformadora de Júnior Rostirola . por Karla Cruz

O meu entrevistado de hoje é o retrato vivo de como a dor, quando ressignificada, pode se transformar em um propósito capaz de impactar milhões de vidas. Falo de Júnior Rostirola, o criador do fenômeno literário Café com Deus Pai, uma das obras mais lidas e influentes do Brasil na atualidade.

Empresário, escritor best-seller, pastor e fundador do Instituto Júnior Rostirola, ele ultrapassa a fronteira das páginas impressas ao liderar projetos sociais de grande impacto no Brasil e no exterior. Sua atuação une fé, acolhimento prático e uma mensagem profunda de transformação humana.

Bacharel em Teologia e pós-graduado em Teologia Bíblica, Júnior construiu uma trajetória marcada por desafios severos, superação e recomeços. Ao olhar para as cicatrizes do passado sob a ótica da graça, compreendeu que a sua história não pertencia apenas a si mesmo — era uma ponte entre Deus e o próximo.

Foi dessa caminhada de fé e resiliência que nasceu o Café com Deus Pai. Mais do que um livro, a obra tornou-se um diário de reflexão e um ritual diário na rotina de famílias por todo o país. Hoje, Júnior percorre o Brasil e o mundo levando uma mensagem de esperança e convidando pessoas a cultivarem uma intimidade diária com a espiritualidade.

Casado com Michelle e pai de João Pedro e Isabella, ele se define como um “improvável” escolhido por Deus para cumprir um propósito extraordinário. Apaixonado pela Palavra, pela família e pela vida, reafirma diariamente que nenhuma dor é em vão quando encontra um destino maior.

Nesta entrevista especial para a Top Society, Júnior Rostirola abre o coração sobre infância, perdão, família, luto, fé e cura. Uma conversa franca sobre os caminhos que transformaram traumas em um legado capaz de acolher multidões.

Sirva o seu café. A nossa conversa de hoje é um convite para acreditar que, independentemente da dor vivida até aqui, um novo e próspero capítulo sempre pode ser escrito.

TS — Júnior, sua história de vida é marcada por desafios, superação e fé. Quando você olha para o menino que foi e para o homem que se tornou, qual é o sentimento que mais toca o seu coração?

Júnior Rostirola: Confesso que é uma mistura de gratidão e ternura. Quando olho para aquele menino que tinha medo, e que escondia suas dores por vergonha do próprio passado, sinto uma vontade enorme de abraçá-lo e dizer que tudo aquilo não seria o fim da história. O sentimento que mais toca meu coração é a compaixão, porque hoje eu entendo que aquele menino não estava sozinho, mesmo quando parecia estar. Deus já estava tecendo, no meio da dor, um propósito que eu ainda não conseguia enxergar.

TS — Você já compartilhou momentos difíceis da sua infância. Em que momento percebeu que as dores do passado poderiam se transformar em uma missão para ajudar outras pessoas?

Júnior Rostirola: Foi um processo, não um estalo único. Durante muito tempo escondi o que vivi, com vergonha da minha própria história. Mas à medida que fui amadurecendo e sendo curado por Deus, percebi que quanto mais eu me abria, mais pessoas se identificavam e encontravam coragem para também enfrentar suas próprias feridas. Foi aí que entendi que cada cicatriz que carrego não é motivo de vergonha, é ferramenta de cura para alguém que está passando por dores semelhantes às que eu passei. Minha dor deixou de ser só minha e virou ponte para outras vidas.

TS — O perdão é um tema muito presente em suas mensagens. Como foi o seu processo de perdoar e compreender que não precisava carregar as feridas do passado pelo resto da vida?

Júnior Rostirola: O perdão não foi um evento, foi uma jornada, e ainda é algo que cultivo. Entendi que perdoar não significa concordar com o que foi feito, nem apagar a dor, mas significa deixar de dar a essa dor o poder de definir quem eu sou. Quando fui abraçado por Deus e reconheci Sua paternidade, Ele me mostrou quem eu era, quem eu não era e quem eu poderia me tornar Nele. Foi esse encontro que me libertou para perdoar, porque eu merecia viver livre daquele peso.

TS — O livro Café com Deus Pai alcançou milhões de leitores e se tornou parte da rotina de tantas famílias. Qual foi o testemunho de um leitor que mais emocionou você e que jamais esquecerá?

Júnior Rostirola: Recebo testemunhos todos os dias, e cada um deles me toca profundamente, pessoas que venceram a depressão, que encontraram conforto depois de perder alguém querido, famílias que voltaram a se falar à mesa. Mas o que mais me marca são aqueles relatos de pessoas que, assim como eu, vinham de lares fragmentados e, através das páginas do devocional, conseguiram enxergar Deus não como alguém distante, mas como um Pai que se aproxima. Ver alguém dizer “eu também era órfão de pai vivo, e hoje me sinto filho amado” é o maior presente que esse livro poderia me dar.

TS — Muitas pessoas carregam dores silenciosas, perdas familiares e sentimentos de abandono. Que mensagem você deixaria para quem deseja recomeçar, mas ainda não encontrou forças para dar o primeiro passo?

Júnior Rostirola: Eu diria: você não precisa ter todas as respostas, nem estar forte para começar, você só precisa dar o primeiro passo, ainda que pequeno. Eu mesmo não sabia, aos treze anos, que aceitar o convite de uma vizinha para ir à igreja naquele dia, que para mim parecia só mais um dia, mudaria toda a minha história. Muitas vezes o recomeço não exige grandes gestos, exige apenas coragem para abrir uma porta. E quando você não tem forças, deixe que seja a graça de Deus te carregar até ter.

TS — Você fala muito sobre o relacionamento com Deus Pai. Como essa conexão transformou sua maneira de enxergar a vida, a família e o seu próprio propósito?

Júnior Rostirola: Tudo mudou quando deixei de ver Deus através das lentes distorcidas da minha própria história e passei a enxergá-lo como Ele realmente é: um Pai que ama, aceita e perdoa. Essa transformação me ensinou a construir minha própria família de um jeito completamente diferente do que vivi e me revelou um propósito claro: usar cada ferida curada como instrumento para curar outras vidas. Hoje entendo que meu propósito não nasceu apesar da minha dor, mas através dela.

TS — Em seu livro A vida que você busca está na cura que você precisa, você aborda a importância de revisitar experiências do passado. Como identificar as feridas emocionais que continuam influenciando nossas escolhas e relacionamentos?

Júnior Rostirola: Geralmente essas feridas se manifestam nos padrões que se repetem, seja nos relacionamentos que sempre terminam do mesmo jeito, nos medos que parecem não ter explicação, nas reações desproporcionais diante de certas situações. Muitas vezes reagimos ao presente com as dores do passado. O primeiro passo para identificar essas feridas é ter coragem de perguntar “por que eu reajo assim?”, sem se julgar, mas buscando compreender a raiz. E é exatamente nesse processo de revisitar e clarear, com a companhia de Deus, os porões da alma, que a cura verdadeira acontece, porque não se cura aquilo que não se enxerga.

TS — Existe alguma lembrança da sua trajetória que ainda emociona você profundamente, mesmo depois de tantas experiências de superação?

Júnior Rostirola: Sim. Ainda me emociono quando penso em como Deus permitiu que a minha vida fosse poupada para contar essa história. Também me emociono sempre que lembro do dia em que fui à igreja pela primeira vez, ainda menino, sem imaginar que aquele simples convite seria o início de tudo o que vivo hoje. São lembranças que doem e curam ao mesmo tempo.

TS — Como você equilibra sua missão como escritor, pastor e comunicador com a vida familiar? O que seus filhos e sua esposa representam nessa caminhada?

Júnior Rostirola: Não existe fórmula perfeita ou ciência exata para isso, mas existe intencionalidade diária. Minha esposa e meus filhos não são coadjuvantes da minha missão, eles são parte dela, muitas vezes as mensagens do devocional nascem justamente de momentos simples ao lado deles, ao redor da mesa. Minha esposa tem sido uma voz profética na minha vida, inclusive por trás de algumas das maiores inspirações do Café com Deus Pai. Eles me lembram, todos os dias, que o ministério mais importante que tenho é dentro de casa.

TS — O sucesso de seus livros e de suas mensagens trouxe grande visibilidade ao seu trabalho. Como você mantém a essência e a simplicidade diante de tantas conquistas?

Júnior Rostirola: Procuro lembrar sempre de onde vim. Quando você já sentiu fome, já sentiu o peso da rejeição, isso te mantém com os pés no chão. Além disso, entendo que nada disso é mérito meu, mas obra de Deus, e isso me protege da tentação de me apropriar de uma glória que não me pertence. Cerco-me de pessoas que me falam a verdade, mantenho minha rotina de devocional e sigo lembrando que tudo começou com um menino ferido que só queria ser amado.

TS — Durante sua passagem por Lages, você compartilhou sua história e emocionou muitas pessoas. O que representa para você estar tão próximo do público e perceber que suas palavras podem despertar esperança em alguém?

Júnior Rostirola: É um dos momentos mais especiais da minha caminhada. Quando estou frente a frente com as pessoas, vejo nos olhos delas histórias parecidas com a minha, e isso é muito maior do que qualquer número, é um encontro de almas. Perceber que minha história, que um dia foi motivo de vergonha, hoje é motivo de esperança para outra pessoa, é a prova viva de que Deus transforma toda dor em propósito.

TS — Para quem está enfrentando o luto, a perda de alguém muito amado ou um momento de profunda tristeza, como encontrar novamente sentido na vida sem deixar de honrar as lembranças de quem partiu?

Júnior Rostirola: O luto não é um obstáculo a ser superado rapidamente, é um caminho a ser atravessado com respeito ao tempo de cada um. Honrar quem partiu não significa viver presos à dor, mas permitir que o amor vivido continue gerando frutos em nós. Buscar Deus nesse processo, permitir-se chorar e, quando estiver pronto, deixar que a memória daquela pessoa se torne combustível, e não âncora, algo que impulsione a viver bem, e não que prenda ao passado.

TS — Além dos livros e das mensagens diárias, você também desenvolve projetos sociais. Qual é a importância de transformar a fé em atitudes concretas de amor ao próximo?

Júnior Rostirola: Fé sem obras é uma fé incompleta. Se eu escrevo sobre um Deus que cura e acolhe, mas não faço nada para acolher quem está machucado ao meu redor, minhas palavras se tornam vazias. Por isso, os projetos apoiados pelo Instituto Rostirola não são apenas iniciativas sociais, são a fé em Deus Pai se tornando concreta, tangível, nas mãos de quem precisa. É a forma que encontrei de devolver, na prática, o amor que recebi.

TS — Quais são seus próximos projetos e sonhos? Existe alguma nova mensagem ou obra que você deseja compartilhar com seus leitores?

Júnior Rostirola: Tenho muitos projetos plantados por Deus no coração, alguns já em desenvolvimento e outros que ainda não é o momento de revelar. Seguimos expandindo o Café com Deus Pai para novos idiomas e novas mídias, e o sonho é continuar levando essa mensagem cada vez mais longe, alcançando pessoas que talvez nunca tenham pisado numa igreja. O céu é o limite.

TS – Para finalizar, Júnior, se você pudesse sentar hoje para tomar um café com aquele menino que enfrentou tantas dificuldades, o que diria a ele? E qual mensagem gostaria de deixar para os leitores do blog Top Society que precisam acreditar que ainda é possível escrever uma nova história?

Júnior Rostirola: Eu diria a ele: “Resista, porque essa dor não vai durar para sempre, e um dia ela vai se transformar na sua maior mensagem de esperança para milhares de pessoas. Você não é o que fizeram com você, você é filho amado de um Pai que nunca te abandonou.”

E para os leitores do Top Society, deixo essa mesma certeza: não importa quão sombria tenha sido a sua história até aqui, sempre existe a possibilidade de um novo capítulo. Basta convidar Deus para se sentar à sua mesa e permitir que Ele escreva, junto com você, uma história completamente nova.

Uma história que continua sendo escrita

Júnior, quero finalizar esta entrevista parabenizando você por sua trajetória, pela coragem de transformar as próprias dores em propósito e por permitir que sua história alcance e inspire tantas outras vidas.

Que Café com Deus Pai continue chegando a novas famílias, atravessando fronteiras e levando fé, acolhimento e esperança a quem precisa acreditar novamente na possibilidade de um recomeço.

Foi uma alegria e uma honra para a Top Society conhecer um pouco mais do homem, do pai, do escritor e do pastor que existe por trás desse fenômeno.

Parabéns, Júnior Rostirola! Que Deus continue abençoando sua caminhada, sua família e cada novo capítulo dessa missão. Que muitas outras vidas ainda sejam alcançadas e transformadas através da sua história.

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