
Case de escola municipal em Florianópolis demonstra como a modelagem da informação da construção permitiu entregar a obra em metade do tempo previsto, sem aditivos contratuais e com maior qualidadeA construção civil passa por uma transformação impulsionada pela digitalização dos processos e pela busca por maior eficiência, previsibilidade e sustentabilidade.
No centro dessa mudança está o BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção), metodologia que vem redefinindo a forma de projetar, executar e gerenciar empreendimentos ao integrar todas as informações de uma obra, seja pública ou privada – em um modelo digital inteligente.Mais do que produzir um projeto em três dimensões, o BIM permite criar uma representação virtual completa da edificação antes mesmo do início da construção.
Arquitetura, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias e demais disciplinas são desenvolvidas e compatibilizadas em um único ambiente digital, permitindo identificar interferências, antecipar problemas, simular diferentes cenários e planejar toda a execução da obra com muito mais precisão.“Na prática, isso significa menos desperdício de materiais, redução de retrabalho, maior controle sobre custos e cronogramas, mais transparência e um nível de qualidade muito superior ao proporcionado pelos métodos tradicionais”, afirma Rodrigo Koerich, CPO da AltoQi. E reforça: “BIM não é modelagem, é informação. É a capacidade de tomar decisões baseadas em dados confiáveis ao longo de todo o ciclo de vida de uma obra”, explica Koerich. A importância do BIM vem sendo reconhecida pelo poder público. A Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) estabelece que, sempre que adequado ao objeto da contratação, a Modelagem da Informação da Construção deve ser adotada preferencialmente nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura. Além disso, a Estratégia BIM BR, coordenada pelo Governo Federal, busca ampliar a disseminação da metodologia e apoiar sua adoção em todo o país. Essa transformação já vem sendo aplicada em empreendimentos públicos. Em um evento recente da AltoQi, Rodrigo Koerich apresentou o exemplo da Escola Básica Municipal Tapera – Escola do Futuro, localizada no Sul da Ilha, em Florianópolis (SC), considerada um case de sucesso na utilização do BIM em obras públicas.A AltoQi, empresa catarinense referência nacional em tecnologia para engenharia e construção civil, foi responsável pelo desenvolvimento dos projetos complementares e pela compatibilização em BIM do empreendimento. Antes mesmo do início da execução, a modelagem digital permitiu identificar mais de 250 incompatibilidades entre os projetos, corrigidas ainda na fase de planejamento e antes de chegarem ao canteiro de obras.O resultado foi expressivo. Inicialmente prevista para ser concluída em 24 meses, a escola foi entregue em aproximadamente um ano, sem necessidade de aditivos contratuais e com redução estimada entre 5% e 10% nos custos diretos da construção. Além dos ganhos financeiros e operacionais, a antecipação da entrega beneficiou diretamente a comunidade da Tapera, que passou a contar mais rapidamente com uma nova escola pública municipal.Planejamento inteligente reduz erros e aumenta a eficiênciaUma das principais vantagens do BIM está na compatibilização dos projetos.
Enquanto o método tradicional desenvolve arquitetura, estrutura e instalações separadamente, a modelagem da informação da construção reúne todas essas disciplinas em um único ambiente digital, permitindo que engenheiros, arquitetos e projetistas trabalhem de forma integrada.
Isso reduz significativamente a ocorrência de conflitos entre sistemas, evita alterações durante a execução e proporciona muito mais segurança para todas as etapas da obra.
Segundo Francisco de Assis Araújo Gonçalves Junior, Especialista em Product Marketing da AltoQi, essa evolução representa um novo patamar para a engenharia brasileira.”Antigamente a compatibilização era feita sobre plantas em papel e, depois, em desenhos CAD. Hoje conseguimos construir virtualmente antes de construir fisicamente. O nível de assertividade é muito maior porque conseguimos identificar problemas que antes só apareciam durante a execução da obra”, afirma Francisco.Para o Especialista em Product Marketing da AltoQi, os benefícios vão muito além da visualização em três dimensões.
“O BIM permite simular cenários, gerar quantitativos mais precisos, reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e garantir que os projetos atendam às normas técnicas de segurança e desempenho.
Quando toda essa inteligência é aplicada antes da obra começar, o resultado é um empreendimento de muito mais qualidade”, ressalta.Da exigência legal à geração de valor.
A adoção do BIM vem crescendo no Brasil impulsionada tanto pelas diretrizes para obras públicas quanto pela percepção cada vez maior de seus benefícios por parte da iniciativa privada. Para Rui Gonçalves, fundador da AltoQi, o principal avanço dos últimos anos foi justamente a mudança de visão do mercado.
“O BIM deixou de ser apenas uma inovação tecnológica para se tornar uma diretriz importante para a modernização da construção civil brasileira.
Quando o setor público passa a incentivar projetos mais completos, com maior previsibilidade de custos e prazos, e o mercado percebe os ganhos em produtividade, desperdício e qualidade, a adoção da metodologia acontece naturalmente.
O BIM gera valor para quem projeta, para quem constrói e para quem investe.
Segundo Rui, a adoção da metodologia no Brasil passou de aproximadamente 5% para algo entre 20% e 25% nos últimos anos e deve continuar crescendo de forma acelerada. “O construtor entende uma linguagem muito clara: prazo, custo e resultado.
Quando ele percebe que o BIM melhora exatamente esses indicadores, deixa de utilizá-lo porque é obrigatório e passa a adotá-lo porque faz sentido para o negócio”, destaca.Para Felipe Roque, CRO da AltoQi, o BIM e a gestão digital da construção representam uma revolução real. “Processos estruturados, modelos integrados, documentação centralizada, tudo isso é um avanço inegável para o setor”, enfatiza. Segundo ele, a próxima grande etapa dessa evolução já começou com a incorporação da inteligência artificial aos processos da construção civil. “Depois da transformação promovida pelo BIM, a IA amplia ainda mais as possibilidades ao acelerar análises, apoiar a tomada de decisões, automatizar tarefas e potencializar o uso das informações geradas ao longo de todo o ciclo da obra. Trata-se de uma transformação fundamental na forma como o setor opera e gera valor”, conclui Felipe Roque.
